As declarações do ministro da Educação na cerimónia de apresentação do novo modelo de ação social para o Ensino Superior colocaram Fernando Alexandre no centro da polémica. O ministro defendia no seu discurso que as residências universitárias deviam ser espaços de integração, misturando estudantes deslocados de vários estratos sociais, ao contrário do que acontece atualmente, ao acolherem os bolseiros oriundos de famílias com rendimentos mais baixos. Mas para apoiar o argumento, disse que “é por isso que elas depois se degradam, é por isso que elas depois não são cuidadas”, acrescentando em seguida que “quando nós metemos pessoas que são basicamente todas de rendimentos mais baixos a beneficiar do serviço público nós sabemos que esse serviço público se deteriora, é assim nos hospitais, é assim nas escolas públicas, nós sabemos que é assim”.
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Confrontado com as críticas e até pedidos de demissão, o ministro disse que as suas palavras foram descontextualizadas e que é “totalmente falso” que considere os alunos mais pobres responsáveis pela degradação das residências.
Num vídeo divulgado nas redes sociais, Catarina Martins disse ter tido dificuldades em acreditar que o vídeo das declarações do ministro fosse verdadeiro quando o viu pela primeira vez. “Isto é errado de tantas formas que é difícil acreditar que é verdade. Mas se é verdade, o Presidente da República devia chamar o ministro da Educação e pedir-lhe explicações”, defendeu a candidata às eleições presidenciais.
Em comunicado, a Fenprof condenou o discurso “estigmatizante” de Fernando Alexandre e considera que ele traduz “traduz um preconceito social explícito” ao associar pobreza à degradação, contrapondo que “o que degrada edifícios é a falta de investimento público, de manutenção regular e de políticas sérias de ação social no ensino superior”.
“Quando um hospital está degradado, não se culpam os doentes; quando uma escola precisa de obras, não se culpam os alunos. Porque razão haveriam os estudantes carenciados de ser responsabilizados pelo mau estado das residências?”, questiona a federação sindical, concluindo que “num contexto em que o custo de vida, as rendas e as propinas já afastam muitos jovens do ensino superior, este tipo de discurso é não só irresponsável, como politicamente condenável”.