Está aqui

Professores, investigadores, artistas e comunidade cultural apoiam ativistas climáticos

Centenas de pessoas assinam duas iniciativas em solidariedade com os jovens que estão a ocupar as suas escolas na luta contra as alterações climáticas. Os jovens respondem-lhes que não vão parar e que temem mais “o fim do mundo” do que as detenções e os tribunais.
Estudante a ser detido. Foto da plataforma "Fim ao fóssil - Ocupa".
Estudante a ser detido. Foto da plataforma "Fim ao fóssil - Ocupa".

Depois das ocupações de escolas em defesa do clima que ocorreram a semana passada e da ação policial que, a pedido da direção da Faculdade de Letras, desalojou pela força uma delas, tendo sido detidos quatro jovens, centenas de pessoas assinaram dois documentos separados de apoio ao movimento, um veio de professores e investigadores, o outro da comunidade artística e cultural.

Professores e investigadores disponibilizam uma ligação para que os seus colegas se possam juntar ao movimento de solidariedade. O apelo intitulado “Apoio ao movimento pacífico de ocupação de escolas pela Greve Climática Estudantil” terá já, de acordo com a plataforma estudantil “Fim ao fóssil – Ocupa”, mais de cem assinaturas até ao momento.

Este “grupo independente de professoras e professores, de investigadoras e investigadores” diz que se constituiu “para declarar apoio ao movimento pacífico de ocupação de escolas da Greve Climática Estudantil pelo “fim ao fóssil”.”

Questionando “de que vale aprender na escola aquilo que valoriza a vida se as próprias condições de vida não estão asseguradas?”, aliam-se “causa estudantil por um plano de governo concreto, exequível, para a neutralidade carbónica até 2030, salvaguardando a equidade de trabalho (e a transição justa para empregos para o clima), bens e garantias”.

E afirmam-se disponíveis para “fazer aulas que contem com elas e eles e tratem dos problemas do clima e da justiça ambiental”, “intervir com as nossas aptidões e conhecimentos a nível científico, crítico, criativo e pedagógico”, “discutir e (re)construir um desenho curricular que permita trabalhar sobre estas questões”, organizar-se “para debater as nossas insuficiências a nível ambiental e social em cada uma das nossas instituições”, elencar e reivindicar as medidas específicas mais prementes para a mudança em cada escola” e “participar em ações, construtivas e não coercivas, de alerta, alegria, debate e protesto, aliando estudantes e trabalhadores, com vista à mudança que urge implementar em prol da justiça ambiental e social”.

A outra iniciativa conta com mais 350 assinaturas do mundo das artes e cultura, grande parte delas divulgadas num artigo do jornal Público. Os autores divulgam dois endereços de e-mail, [email protected] e [email protected] onde continuam a aceitar subscrições à iniciativa.

Estas centenas de pessoas reconhecidas nas suas áreas de trabalho saúdam os jovens ativistas climáticos que “sabem que é urgente e possível a mudança de paradigma, no respeito pelas leis da natureza e do universo e na defesa de um mundo novo” e repudiam “qualquer tentativa de intimidação, de silenciamento e condenação do ativismo climático”. Por isso, afirmam que não aceitarão “o uso da força ou qualquer tipo de punição, seja ela física ou institucional”.

Exigem ao governo “que ouça com urgência os apelos” dos jovens e que “em diálogo com a comunidade científica ponha em marcha um plano de ação mais ambicioso e consequente contra o fracasso climático”.

Também apelam a escolas e faculdades portuguesas, a museus e outras instituições culturais “para que iniciem uma reflexão interna, e em diálogo com a comunidade, a respeito da emergência climática e assumam uma posição inequívoca e comprometimento sério na luta pelo clima”.

Estudantes não param

Em comunicado a plataforma “Fim ao fóssil – Ocupa” diz que não vai parar. Para esta segunda-feira às 13.30 horas, hora em que os estudantes que estavam colados ao chão na Faculdade de Letras, foram arrancados à força e levados para uma esquadra da polícia serão ouvidos em tribunal, está marcada uma concentração em seu apoio no Campus da Justiça, Edifício F. Uma das detidas, Ana Carvalho, diz sobre o caso: “receamos mais o fim do mundo”.

Na FCSH, depois da ocupação ter sido interrompida para participarem na marcha de sábado, os estudantes prometem voltar a “disromper a normalidade esta segunda-feira”, de acordo com Raquel Alcobia.

Os estudantes do Liceu Camões também se comprometem a manter a ocupação ativa e fazem o convite a quem queira juntar “para lutar e resistir em conjunto”. Clara Pestana, porta-voz desta ocupação, também desafia o ministro da Economia a aparecer para dialogar sobre a crise climática. E outra das ativista, Alice Gato, explica as razões de António Costa Silva, que foi gestor da Partex Oil & Gas, estar na mira do movimento: “diz-se solidário, contudo sempre foi um ávido defensor da expansão petrolífera”.

Termos relacionados Ambiente
(...)