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Primeira substância à base da canábis aprovada em Portugal

Dois anos após a aprovação da lei, o Infarmed aprovou o primeiro produto para fins medicinais. Laboratório do IST queixa-se de ter empresas à espera que o Infarmed autorize o seu processo de descontaminação à planta.
Foto de WillPower Studios | Flickr

Num comunicado a que a agência Lusa teve acesso, Rita Barata, diretora-geral da Tilray Portugal, diz que “esta é a primeira e única preparação ou substância à base de planta de canábis para fins medicinais permitida no nosso país e estamos a planear num futuro próximo tornar outros produtos acessíveis aos doentes em Portugal”. A Tilray Portugal está instalada em Cantanhede, no distrito de Coimbra.

A utilização de preparações e substâncias à base da planta de canábis para fins medicinais está aprovada para várias indicações, “nos casos em que se determine que os tratamentos convencionais não produzem os efeitos esperados”.

Entre as várias utilizações destes produtos, está a dor crónica -associada a doenças oncológicas ou ao sistema nervoso-, espasticidade associada à esclerose múltipla ou a lesões da medula espinhal, entre outras.

A empresa acrescenta que “a conclusão deste processo (de aprovação) confirma os padrões de qualidade e segurança da produção da Tilray”.

Infarmed continua sem dar autorização para descontaminação da planta

Após dois anos da aprovação da lei que legaliza o uso da canábis para fins medicinais, o Campus Tecnológico e Nuclear do Instituto Superior Técnico (IST) está preparado para começar a descontaminar as plantas de canábis, com recurso a radiação gama, mas aguardam a autorização do Infarmed, de acordo com a TSF.

Sandra Cabo Verde, investigadora do IST, refere que os produtos contêm, na sua origem, uma determinada quantidade de microrganismos, e a planta da canábis não foge à regra.

A investigadora diz que “devido ao sistema de cultivo, à plantação, à apanha, à chuva, à rega, tudo. E, muitas vezes, para a indústria farmacêutica, essa carga microbiana não é adequada, porque pode levar à contaminação do produto final. Tem de haver um processo que permita reduzir a níveis aceitáveis, em termos sanitários, esses microrganismos. Neste caso, um potencial tratamento é a radiação gama”.

A planta da canábis pode ter efeitos no sistema nervoso central, por isso é necessária a aprovação do Infarmed para proceder à irradiação.

Enquanto a autorização não é dada, o Laboratório de Aceleradores e Tecnologia de Radiação, considera estar pronto e em contato com algumas empresas, na sua maioria estrangeiras, que se instalaram em Portugal depois da aprovação do uso da canábis para fins medicinais.

Eduardo Alves, diretor-adjunto do Laboratório, sublinha que “o cultivo vai ser cá, porque dizem que o  nosso clima se adapta perfeitamente. E já têm plantações a crescer. Penso que, durante este ano, começará a haver produção nacional a entrar no mercado”.

Neste momento, os únicos produtos à base de canábis que se vendem em Portugal nas farmácias portuguesas são fabricados na Holanda e na França. 

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