Presidente do Banco do Vaticano suspeito por branqueamento de dinheiro

23 de setembro 2010 - 16:33

A Procuradoria de Roma congelou 23 milhões de euros nas contas do Banco do Vaticano e lançou uma investigação contra o presidente da instituição, Ettore Gotti Tedeschi, por suspeita de branqueamento de dinheiro.

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Tedeschi, o Presidente do Banco do Vaticano, é especialista em Ética Financeira. Foto LUSA/EPA/Franco Cavassi

Para além de Tedeschi está também a ser investigado um segundo responsável do banco, adianta a agência de notícias italiana Ansa. Ambos são suspeitos de não terem respeitado uma cláusula da nova legislação anti-branqueamento que tornou obrigatória a referência dos autores das transacções financeiras, tal como o seu objectivo e natureza. Esta lei entrou em vigor em 2007.

Tedeschi, especialista em Ética Financeira, foi escolhido pessoalmente por Ratzinger para o cargo, há um ano, tendo sido apelidado na altura como “o banqueiro de Deus". Antes, foi representante do grupo espanhol Santander em Itália e conselheiro próximo do actual ministro das Finanças do Governo de Berlusconi, Giulio Tremonti.

Vaticano tenta explicar o sucedido

Dois dias depois da notícia que põe em causa o presidente do banco do Vaticano, surgiu a explicação, através de uma carta do porta-voz da Santa Fé publicada no diário Financial Times, citada pelo Público. “Desejo evitar a difusão de informações pouco exactas e evitar consequências nefastas para o instituto ou para a reputação dos seus dirigentes”, escreve o padre Federico Lombardi na missiva.

“Este problema foi causado por um mal-entendido entre o Instituto e o banco que recebeu a transferência dos fundos”, explica Lombardi.

Além disto, o Banco do Vaticano “não é um banco no sentido habitual do termo”, sublinha ainda Lombardi, e tem como principal missão “administrar os bens das instituições católicas”, encontrando-se “fora da jurisdição de vigilância dos diferentes bancos nacionais”.

O Banco do Vaticano chama-se Instituto para as Obras Religiosas e é uma instituição privada com sede na Cidade do Vaticano. 

Em 1982, o Banco Vaticano viu-se imerso num escândalo financeiro quando ficou provada o seu envolvimento na falência fraudulenta do Banco Ambrosiano, de que o Instituto para as Obras Religiosas era o principal accionista.