Preço do material escolar sobe 14% e há famílias a pedir dinheiro ao banco

31 de agosto 2023 - 23:37

Cabaz de oito artigos essenciais custa atualmente mais 14% face ao período homólogo. Com as famílias a recorrer ao crédito para enfrentar estas despesas, DECO alerta para riscos.

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Foto pxhere.

A KuantoKusta analisou o preço médio de um conjunto de itens escolares, que inclui lápis, esferográficas, cadernos, mochilas, estojos, compassos, calculadoras científicas e 'pen-drives'.

De acordo com a plataforma, o valor necessário para adquirir o novo material escolar regista um aumento de 14,2% face a 2022, e de cerca de 33% face a 2021.

O preço das esferográficas é aquele que mais oscilou, tendo subido cerca de 57,9%. Destacam-se também os compassos (mais 19,8%), os estojos (mais 18,5%) e as calculadoras científicas (18,4%).

A presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), afirmou, em declarações à agência Lusa, que o aumento dos preços é sentido "a todos os níveis" pelas famílias.

"Há muitos materiais que são de facto indispensáveis e têm de ser as famílias a arcar com esses custos", frisou. A representante da Confap assinalou que, apesar de algumas autarquias apoiarem os alunos mais carenciados, cedendo alguns desses materiais, "todas as famílias deveriam ter a mesma oportunidade".

E as famílias que tentam recorrer às promoções das grandes superfícies não podem deduzir as despesas em sede de IRS, alerta a Confap.

"Nem sequer há a possibilidade de reembolso. Devia, pelo menos, haver uma estratégia para que fosse assegurado algum retorno financeiro no IRS, o que, nesses casos, não acontece", defende a Confederação.

Acresce que, no que respeita a algumas famílias, à despesa habitual com o restante material escolar, soma-se este ano a despesa com a compra de manuais escolares novos. A situação resulta do facto de as famílias terem sido informadas pelas escolas de que os alunos do 4.º ano iriam perder o direito ao 'voucher' que dá acesso a manuais gratuitos porque os livros que tinham sido devolvidos estavam escritos ou riscados. Ainda que o Ministério da Educação tenha, posteriormente, aberto um período excecional para correções na atribuição dos 'vouchers', muitos pais já tinham comprado os livros para o próximo ano, avançou a dirigente da Confap.

A TSF avança que, inclusive, há famílias a pedir dinheiro ao banco para comprar o material escolar. Natália Nunes, do gabinete de proteção financeira da Deco alerta que o momento é particularmente difícil em termos de taxa de juro.

"Aquilo que verificamos é que as famílias, nos próximos meses, vão ter dificuldades em suportar os gastos que fizeram agora com a utilização do cartão de crédito. Relativamente ao recurso a um crédito pessoal, ele deve também ser bem ponderado. Deve fazer-se uma comparação das ofertas que existem no mercado e deve ver-se qual é a taxa de esforço e se temos ou não capacidade para suportar mais essa prestação. Não nos podemos esquecer que as famílias vivem momentos conturbados, temos taxas de juro no crédito à habitação que continuam muito elevadas e continuamos com a inflação ainda elevada", explicou Natália Nunes.