A Deco Proteste atualizou na quinta-feira o preço do seu cabaz alimentar com 63 produtos essenciais e concluiu que nunca esteve tão caro, atingindo os 254,32 euros. Desde a semana anterior o preço aumentou 19 cêntimos. Há um ano os mesmos artigos podiam ser comprados por menos 17,37 euros (-7,33%). E se recuarmos ao início de 2022, quando o cabaz foi formado, o preço era 66,62 euros mais baixo, tendo aumentado 35,49% desde então, noticia o portal económico Eco.
Se o cabaz alimentar pesa mais na carteira dos portugueses, nas últimas semanas têm sido fechadas as contas de 2025 das maiores empresas cotadas em bolsa, e os acionistas da energia e grande distribuição terão razões para festejar com o aumento dos lucros e dos dividendos. A Sonae teve vendas recorde de mais de 11 mil milhões de euros e o seu responsável financeiro, João Dolores, já avisou que com o prolongar da guerra “é normal que comece a refletir-se nos consumidores“ o seu impacto.
Das 13 empresas cotadas que já apresentaram resultados.nove decidiram propor o aumento dos dividendos aos acionistas e apenas uma optou por cortá-los. Assim, as maiores empresas preparam-se para distribuir mais de três mil milhões de euros em dividendos, um recorde absoluto em Portugal. Nas contas do Expresso, as cinco famílias portuguesas que dirigem empresas com maior capitalização bolsista irão receber 710 milhões em dividendos. O número global é inferior ao do ano passado, mas isso explica-se com o corte de dividendos da Navigator, controlada pela família Queiroz Pereira, que arrecadará “apenas” 97,6 milhões face aos 164 milhões que recebeu em dividendos no ano passado. A família Soares dos Santos (Jerónimo Martins/Pingo Doce) encabeça a lista com quase 230 milhões, seguida pela família Amorim (GALP/Corticeira) com 210 milhões. A família Azevedo (Sonae/Continente) irá arrecadar 152,5 milhões de euros em dividendos.
Em termos absolutos, a maior pagadora de dividendos é a EDP, que distribuirá 75% do seu lucro, num total de 857,7 milhões de euros, sem contar com os 132 milhões distribuídos pela EDP Renováveis, mas neste caso pago em títulos em vez de dinheiro. Seguem-se o BCP (453 milhões), a Galp (445,1 milhões) e a Jerónimo Martins (408,5 milhões).