O coordenador do Bloco de Esquerda contactou na manhã de sexta-feira com os jovens que visitam a Futurália, em Lisboa. Em declarações à agência Lusa, afirmou que o Bloco irá nos próximos dias apresentar um conjunto de medidas para “fazer face a esta ligação absolutamente perversa entre guerra e custo de vida” e impedir que seja “a maioria do costume a pagar a fatura” da guerra.
Para José Manuel Pureza, é importante avançar desde já com o controlo dos preços dos bens essenciais e “fazer com que quem está a lucrar obscenamente com esta guerra tenha responsabilidade por pagar a fatura que está a recair sobre quem não tem poder para pagar”.
“Cada bomba que Donald Trump lança no Médio Oriente faz subir a conta do supermercado”, prosseguiu o coordenador bloquista, enquanto “Luís Montenegro está de braços cruzados e só descruza os braços para aplaudir o que venha de Donald Trump”.
Pacote laboral: Postura “deplorável” do Governo “mostra que não há saída negocial”
Questionado sobre o agendamento de nova reunião do Governo com a UGT sobre o pacote laboral, Pureza respondeu que a retirada da proposta do governo “já devia ter acontecido”, pois não existe “nenhum clima negocial” por parte do executivo.
“O Governo que vai fazer uma reunião mas diz cobras e lagartos da proposta da UGT é porque não tem a mínima intenção de negociar. Continua a desprezar a CGTP e a não a convocar para as reuniões. Tudo isso é bastante deplorável e mostra que não há saída negocial”, prosseguiu.
Sobre as expetativas para a próxima fase do processo, Pureza espera que haja uma tomada de posição clara por parte do Parlamento, mas para que isso aconteça devem também continuar “uma grande mobilização e unidade do movimento sindical e uma grande campanha de esclarecimento e trabalho junto dos trabalhadores nos locais de trabalho”.
Sobre o papel que o Presidente da República irá assumir, o coordenador do Bloco lembrou que “António José Seguro disse o que disse durante a campanha eleitoral e este é o teste de algodão do início do seu mandato, cumprir aquilo que disse que faria durante a campanha eleitoral” quando afirmou que vetaria qualquer proposta que não tivesse o acordo da UGT. “Se jura cumprir e fazer cumprir a Constituição, não tem outra alternativa”, concluiu.
Pureza condena “saneamento político” no Museu do Aljube e Teatro do Bairro Alto
José Manuel Pureza comentou ainda a decisão do executivo de Carlos Moedas de afastar Francisco Frazão e Rita Rato das direções do Teatro do Bairro Alto e do Museu do Aljube, sublinhando que esses afastamentos “ocorrem num contexto em que existe na Câmara Municipal de Lisboa um acordo cada vez mais intenso entre Carlos Moedas e o Chega”.
“As duas pessoas são afastadas formalmente porque cessou o seu mandato, mas na verdade é um saneamento político”, considera o coordenador do Bloco de Esquerda. “Ambos fizeram um excelente trabalho, conheço melhor o de Rita Rato na direção do Museu do Aljube: é um trabalho extraordinário na transformação de uma casa que tinha dificuldade em ter ligação à sociedade numa casa com uma penetração enorme no tecido escolar, de difusão e disputa da memória do que foi a ditadura”.
“Estes cargos devem ter critérios absolutamente claros no que diz respeito à sua escolha e à renovação ou não renovação de mandatos. Como os critérios não são claros, isso permite a leitura de que estamos perante um ato de natureza estritamente política e ideológica”, concluiu.