Presidenciais

“Portugal não pode resignar-se a que haja vítimas e agressores dentro de casa”

15 de dezembro 2025 - 12:31

Catarina Martins contactou com uma associação que apoia vítimas de violência doméstica na Madeira e diz que o papel de uma Presidente da República é “lançar o debate sobre como é que acabamos com a violência dentro de casa”.

PARTILHAR
Catarina Martins na associação Presença Feminina, no Funchal
Catarina Martins na associação Presença Feminina, no Funchal. Foto de Bruno Moreira

Catarina Martins esteve esta segunda-feira no Funchal, onde reuniu com a associação Presença Feminina, que apoia vítimas da violência doméstica na Madeira e faz trabalho de prevenção junto de escolas mas também em centros de dia.

A candidata diz que é preciso destacar os casos de sucesso que o país tem e um deles é o trabalho destas associações para mostrar que “é possível sair dessas relações” e assim combater “um dos maiores problemas de segurança do país”.

“Para muitas pessoas estar em casa é o maior perigo”, prosseguiu Catarina, defendendo uma “nova geração de políticas de prevenção da violência” que apostem no trabalho de prevenção “de forma consistente, em toda a sociedade e durante todo o ano” porque “Portugal não pode resignar-se a que haja vítimas e agressores dentro de casa”

Um dos compromissos do seu mandato presidencial é justamente “lançar o debate sobre como é que acabamos com a violência dentro de casa”, garantiu.

Questionada pelos jornalistas sobre a forma como a inteligência artificial amplia a discriminação sobre as mulheres, Catarina respondeu que “tem de haver regulação porque não podemos andar para trás”. A inteligência artificial “aprende com os padrões que encontra”, o que quer dizer que “aprende com o pior do mundo digital” e por isso “vai reproduzir a discriminação, o que vai discriminar as mulheres e os grupos que já são excluídos”.

“Autonomia deve ser aprofundada para que haja melhor corresponsabilização”

Sobre a sua posição acerca das autonomias, Catarina sublinhou que é uma “enorme defensora da autonomia”, recordando o trabalho que fez enquanto deputada “numa revisão constitucional que pretendia acabar com o representante da República e trazer novas formas de autonomia”. Nessa altura, lembrou, “o Governo Regional da Madeira faltou à audição quando a comissão o chamou”. Lamentou ainda que essa revisão não tenha ido até ao fim, pois ia no sentido de “responsabilizar Governo e Assembleia Regional pelas decisões que tomam”.

“Não podemos ter um Governo Regional que sempre que quer desculpa-se com a República”, prosseguiu Catarina, defendendo que “a autonomia deve ser aprofundada para que haja melhor corresponsabilização e mecanismos mais claros de solidariedade entre República e Regiões Autónomas”, com estas a terem mais voz “sobre o que tem a ver com o seu território e riquezas naturais”.

Os jornalistas procuraram também obter uma reação ao atentado contra a comunidade judaica na Austrália, que a candidata já tinha condenado nas redes sociais na véspera. “Todas as formas de violência e ódio são terríveis. Nunca justifiquei na minha vida uma violência com outra. Os crimes de guerra devem ser julgados, mas nunca se pune coletivamente um povo, isso é inaceitável”, reiterou Catarina.

Sobre a possibilidade de a esquerda estar presente na segunda volta, Catarina respondeu que “estamos a precisar de equilíbrio no país” e que a oposição ao pacote laboral do Governo é um bom exemplo, porque “a Madeira conhece bem o drama dos contratos precários e das horas extraordinárias“. Nesse sentido, “ter uma Presidente da República que claramente se opõe a este caminho é a melhor forma de equilibrarmos as nossas instituições democráticas e termos a certeza de que as populações são ouvidas”, concluiu.