Portugal é o país da União Europeia com maior envelhecimento

16 de fevereiro 2024 - 18:00

A idade média da população da União Europeia aumentou 2,3 anos desde 2013, quando era de 42,2 anos. Portugal ocupa o topo da tabela, com a população a envelhecer 4,4 anos em média, em apenas uma década.

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Foto EnvatoElements

A população da União Europeia (UE) em 1 de janeiro de 2023 era estimada em 448,8 milhões de pessoas. As crianças com idades compreendidas entre os 0 e os 14 anos representavam 14,9% da população da UE, enquanto as pessoas consideradas em idade ativa (15 a 64 anos) representavam 63,8% da população. Os idosos (com 65 ou mais anos) tinham uma percentagem de 21,3% (um aumento de 0,2 pontos percentuais (pp) face ao ano anterior, segundo dados sobre a estrutura populacional e o envelhecimento, revelados esta quinta-feira pelo Eurostat.

Portugal lidera o ranking dos países da UE com a maior proporção de pessoas com 65 e mais anos (24% da população). As crianças até aos 14 anos representavam 12,9%, enquanto que as pessoas dos 15 aos 64 anos representavam 63,1% da população portuguesa.

No total da população dos 0 aos 14 anos em 2023, Portugal tem as percentagens mais baixas, juntamente com a Itália (12,4%) e Malta (12,7%), segundo dados da Eurostat.

Relativamente à proporção de pessoas com 65 ou mais anos na população total, Itália (24%), Portugal (24%), Bulgária (23,5%), Finlândia (23,3%), Grécia (23%) e Croácia (22,7%) tinham as percentagens mais elevadas, enquanto que o Luxemburgo (14,9%) e a Irlanda (15,2%) apresentavam as percentagens mais baixas. 

Mafalda Brilhante

Por uma política de cuidados

07 de novembro 2023

Em 2023, em comparação com 2022, a percentagem de pessoas com 65 anos ou mais aumentou em 20 Estados-Membros, enquanto que na Estónia, na Chéquia e em Malta diminuiu, e em Espanha, Lituânia, Hungria e Alemanha esta percentagem permaneceu inalterada.

“Em cinco países da UE, a idade média da população aumentou 4 anos ou mais. A idade média em Portugal aumentou 4,4 anos, a maior entre os países da UE.” Seguem-se a Grécia, Espanha, Eslováquia e Itália, com um aumento de 4,0 anos. A Itália lidera esta tabela, com uma idade mediana nos 48,4 anos, seguida por Portugal com 47 anos.

Quanto ao rácio de dependência de idosos, o número de pessoas idosas (com 65 anos ou mais) em comparação com o número de pessoas em idade ativa (15-64 anos) atingiu os 33,4% em 2023 na UE. “Os rácios mais elevados foram registados em Portugal (38,0%), Itália e Finlândia (ambos 37,8%). Os rácios mais baixos registaram-se no Luxemburgo (21,5%), na Irlanda (23,2%) e em Chipre (24,7%).”

"O envelhecimento vai continuar a agravar-se em Portugal, entrando depois num planalto a partir de 2040, quando as gerações que nasceram na década de 80 do século passado atingirem os 65 anos”, antevê Alda Botelho Azevedo, doutorada em demografia e investigadora no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, em declarações ao jornal Público.

“O problema é que começamos tarde e isto não é um assunto que politicamente tenha muita aderência porque não se resolve num ciclo governativo, é o resultado de tendências de longo prazo”, lamenta Alda Botelho Azevedo.

O Bloco de Esquerda propõe, no seu programa às eleições de 10 de março, no capítulo “Crise nos cuidados à velhice”, que os cuidados sociais sejam assumidos como uma responsabilidade do Estado, propondo que se crie o "Serviço Nacional de Cuidados, estruturado numa rede de estabelecimentos e serviços de acesso gratuito e universal, em todo o território nacional.” Este serviço deve encontrar respostas públicas em estruturas residenciais para pessoas idosas, centros comunitários, centros de atividades ocupacionais, unidades de cuidados continuados, equipas de cuidados paliativos, entre outros.