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Porque há menos pessoas a morrer na Alemanha por causa do coronavírus?

Apesar de ser o quinto país a nível mundial com mais casos confirmados de coronavírus, a Alemanha teve uma baixa taxa de letalidade nesta fase de propagação.
Tim Reckmann/Flickr

A razão mais apontada para justificar esta baixa taxa de letalidade de 0,4% parece ser o facto de, nesta fase inicial da propagação, o vírus não ter ainda atingido a população mais idosa ou mais fragilizada. As autoridades alemãs têm testado e rastreado os casos mais ligeiros de forma sistemática, e mais de 80% dos casos positivos são pessoas com idade inferior a 60 anos. 

“No início, quando tínhamos relativamente poucos casos, fizemos um bom trabalho na Alemanha para encontrá-los e isolá-los”, afirmou ao Washington Post o responsável pelo departamento de gestão de cuidados de Saúde da Universidade Técnica de Berlim. “Essa é a razão principal”, apontou Reinhard Busse.

Outras razões que têm vindo a ser apontadas são a enorme quantidade de testes que tem sido efetuados e a quantidade de camas disponíveis nos cuidados intensivos na Alemanha 30 por cada 100 mil habitantes, o maior rácio de toda a União Europeia.

Correlação entre taxa de letalidade e convívio intergeracional

Em Itália, apesar das semelhanças demográficas entre ambos os países, o cenário é completamente diferente, com o vírus a atingir desproporcionalmente a população mais idosa. 74% dos casos confirmados tem mais de 50 anos, enquanto na Alemanha 82% dos casos confirmados tem menos de 60 anos.

A explicação pode estar na estrutura social que aproxima mais as gerações no convívio diário. Mais de 20% dos italianos com idades entre 30 e 49 anos vivem com os seus pais, de acordo com os economistas da Universidade de Bona, Christian Bayer e Moritz Kuhn, citados pela Bloomberg. Ou seja, mais do dobro do que a percentagem alemã para a mesma faixa etária. Bayer e Moritz defendem a tese de há uma correlação entre a convivência de várias gerações debaixo do mesmo teto e a taxa de letalidade do coronavírus.

“Porque há tantos idosos em alguns países a serem infectados e noutros não? A estrutura social é a explicação natural.”- disse Bayer. O economista alertou também para o facto de a sua análise demonstrar que na maioria dos países da Europa, onde as várias gerações tendencialmente vivem mais juntas, como a Grécia, Bulgária, Polónia e Sérvia, serem necessárias medidas rápidas para proteger os mais idosos.

A perspetiva do surto se deslocar para uma população mais idosa preocupa as autoridades de saúde alemã. Lothar Wieler, Presidente do Instituto Robert Koch, a autoridade de saúde pública alemã, explicou à Bloomberg que “ainda estamos apenas no início da epidemia”, considerando que é possível uma alteração destas circunstâncias.

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