Depois do presidente turco ter anunciado que não iria mais cumprir o acordo assinado com a União Europeia, no âmbito do qual retinha os refugiados do seu lado da fronteira, começou uma deslocação de milhares de refugiados que tentam entrar na Europa. Não há acordo sobre o número de pessoas que se concentram atualmente na fronteira entre Turquia e Grécia. A Organização Internacional para as Migrações referia 13000, as autoridades turcas indicam muito mais.
Nesta fronteira terrestre, as autoridades gregas estão a disparar contra os refugiados que tentam passar. Foi lançado gás lacrimogéneo contra as centenas pessoas que tentaram chegar ao lado grego, incluindo crianças. Dizem que impediram mil pessoas de entrar.
Na zona fronteiriça, a imprensa foi afastada pela polícia. Foi enviada uma mensagem automática para os telemóveis aí localizados a dizer que o país aumentou a sua segurança para o nível máximo e a tentar dissuadir as pessoas de tentar entrar no país. Em Kastanies, há altifalantes a repetir, em inglês e árabe que “as fronteiras estão fechadas”. Em Evros, também na região fronteiriça com a Turquia, os militares gregos estão a fazer exercícios com fogo real. A Grécia requereu à agência Frontex, da União Europeia, a presença da sua força de intervenção rápida para “defender a fronteira externa europeia”. E suspendeu todos os pedidos de asilo por um mês.
Também o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, avisou publicamente: “não tentem entrar ilegalmente na Grécia – vão ser afastados”. O governo grego classifica esta situação como uma “ameaça ativa, séria, grave, assimétrica, à segurança nacional”. O porta-voz do governo, Stelios Petsas, culpa a Turquia pelo que está a acontecer: “estas… pessoas estão a ser usadas pela Turquia como piões para fazer pressão diplomática”.
Morte no mar Egeu
Na fronteira marítima a situação é igualmente tensa e já teve consequências trágicas. Nos últimos dias, cerca de mil refugiados conseguiram chegar por meios precários às ilhas de Chios, Kos, Samos e Lesbos. Nesta última ilha, um pequeno grupo de pessoas tentou impedir um barco com refugiados de atracar.
E foi a tentar chegar a Lesbos que um barco insuflável com 50 migrantes naufragou às 08.30 horas desta segunda-feira. Uma criança de cinco anos morreu no incidente, segundo foi confirmado pela Guarda Costeira grega. Há uma segunda criança hospitalizada.
Plataforma de Apoio Aos Refugiados apela ao governo português
Em Portugal, a Plataforma de Apoio Aos Refugiados considera que há uma “tragédia humanitária iminente” e apela para que o governo português receba urgentemente refugiados desta região.
A estrutura recorda que “estamos a falar de famílias acompanhadas de menores e em situação de particular vulnerabilidade, que fogem de perseguições ou que procuram paz que o seu país não lhes consegue garantir”. Por isso, seria “absolutamente urgente que Portugal reforce a sua capacidade de acolhimento para que possa não só receber mais refugiados, mas também garantir-lhes uma resposta rápida e digna”.
A entidade mostra-se “desde já, disponível a acolher os requerentes de asilo e refugiados que se encontrem em território grego e a colaborar com o Governo português na identificação de obstáculos e no reforço da capacidade de acolhimento portuguesa”.
Apesar disso, a PAR não deixa de referir os problemas com que se confrontam os refugiados que têm chegado ao país: “ausência de soluções de habitação estáveis, a morosidade na emissão de documentos que afeta gravemente o acesso aos serviços públicos, como o Serviço Nacional de Saúde, entre outros entraves identificados pela nossa experiência de terreno”.
Para a PAR é preciso melhorar condições para receber quem precisa “não só de braços abertos, mas também com dignidade”.