Segundo o diário espanhol El País, a polícia e o Centro Nacional de Inteligência (a política secreta espanhola) afirmam que pelo menos dois dos dez assaltantes da embaixada norte-coreana em Madrid têm ligações aos serviços secretos dos Estados Unidos. A CIA nega tudo, mas a sua resposta foi considerada “pouco convincente” pelos espanhóis, diz o El País.
O assalto à embaixada foi especialmente violento e no início tudo apontava para um crime comum. Dez homens armados entraram no edifício e encapuzaram os presentes, agredindo-os e interrogando-os durante duas horas. O alerta foi dado por uma funcionária que conseguiu escapar por uma janela do segundo andar e alertou um vizinho, que chamou a polícia. Os assaltantes usaram os carros da embaixada para saírem a alta velocidade, abandonando-os em seguida.
Os assaltantes não levaram dinheiro nem jóias, apenas telemóveis e arquivos informáticos. Com a ajuda das câmaras de vigilância a polícia identificou alguns dos assaltantes, na maioria coreanos, e estabeleceu ligações entre pelo menos dois deles com a CIA. O assalto ocorreu cinco dias antes do encontro de Donald Trump com Kim Jong-un no Vietname.
Uma das pistas seguidas pela polícia espanhola para o motivo do assalto é a recolha de informações sobre o último embaixador da Coreia do Norte em Madrid, Kim Hyok Chol, que abandonou o cargo em 2017 quando foi declarado persona non grata pelas autoridades espanholas. Regressado a Pyongyang, o diplomata tornou-se numa das pessoas mais próximas do líder norte-coreano e teve um papel decisivo nos preparativos da cimeira com Trump, encabeçando as negociações sobre o plano de desnuclearização da península coreana.