Polícia angolana reprime manifestações com gás lacrimogéneo e detém manifestantes

17 de junho 2023 - 18:19

As marchas pretendiam protestar contra a subida dos preços dos combustíveis, o ataque à venda ambulante e a nova lei sobre as ONG. As autoridades alegaram questões burocráticas para tentar travá-las e depois reprimiram-nas em Luanda e Benguela. Há vários detidos entre os quais dirigentes do Bloco Democrático de Angola.

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Manifestante ferido em Luanda. Foto de AMPE ROGÉRIO/LUSA.
Manifestante ferido em Luanda. Foto de AMPE ROGÉRIO/LUSA.

Ativistas e organizações não governamentais tinham-se juntado num apelo para a realização de manifestações este sábado contra o aumento dos preços dos combustíveis, a tentativa de acabar com a venda ambulante e uma nova lei sobre Organizações Não Governamentais que consideram irá asfixiar e até extinguir múltiplas organizações da sociedade civil angolana.

Na véspera, os organizadores tinham tomado conhecimento, através das redes sociais, de um documento posto a circular pelo Gabinete do Governador Provincial de Luanda que referia irregularidades na convocatória como a inexistência de documentos comprovativos da profissão e morada dos promotores. Estes asseguraram que cumpriram todos os requisitos legais e mantiveram a ação.

Pouco depois da marcha de Luanda começar, entrando na Avenida Deolinda Rodrigues, a polícia bloqueou a passagem e reprimiu o protesto através de uma carga policial da Polícia de Intervenção Rápido e do lançamento de gás lacrimogéneo.

Há notícias de vários detidos e imagens de pessoas feridas. O Bloco Democrático de Angola deu conta que dois membros do seu secretariado nacional, Ary Campos , secretário nacional para os Assuntos Cívicos, e Adilson Manuel, secretário nacional da Juventude, foram detidos nas imediações da Livraria “Irmãs Paulina”, tal como outros elementos como Honorato Joseph, Secretário da Juventude em Luanda, José Sakalumbo, secretário municipal de Cacuaco, Gélson, vice-secretário deste município, entre outros.

Também chegam notícias da repressão da manifestação de Benguela onde a Deutsche Welle dá conta de pelo menos quatro detidos. O Movimento Cívico Mudei, que integra a plataforma organizadora, conta pelo menos 37 presos depois da manifestação.

Já noutras cidades, a mesma organização mostra, em diversas publicações nas suas redes sociais, que os protestos decorreram sem incidentes.