Repressão em Angola

Várias organizações angolanas exigem uma investigação independente à ação policial na sequência da greve dos taxistas. Falam em abuso de autoridade, uso excessivo da força e até execuções sumárias. Mais de 500 advogados fazem plantão para garantir direitos fundamentais dos detidos.

Os tumultos de Julho foram uma reacção motivada pela constante e acelerada degradação social e económica em Angola, aliada à contínua degradação política. Qualquer governante não precisaria de outros indicadores para chegar à conclusão de que falhou completamente.

Sedrick de Carvalho

Os ativistas foram presos antes de participarem numa manifestação de solidariedade com os mototaxistas e a sua saúde tem vindo a deteriorar-se “drasticamente”. A organização de defesa dos direitos humanos fala em “privação deliberada de assistência médica” pelas autoridades.

A oposição diz ser alvo de censura em Angola. Aos jornalistas em Lisboa traça um quadro de atropelos ao Estado de direito, de falta de independência judicial, metade da população na pobreza total e contratações públicas para amigos. Mas também identifica esperança num rumo diferente.

Cem pessoas foram detidas nas manifestações do passado fim de semana. Ativistas e associações vincam que a violência policial “não resultou de atitudes ilegais dos manifestantes mas da dificuldade das instituições em respeitar o direito dos cidadãos a exprimir opiniões críticas”.

As marchas pretendiam protestar contra a subida dos preços dos combustíveis, o ataque à venda ambulante e a nova lei sobre as ONG. As autoridades alegaram questões burocráticas para tentar travá-las e depois reprimiram-nas em Luanda e Benguela. Há vários detidos entre os quais dirigentes do Bloco Democrático de Angola.

Há dezenas de presos e não se sabe quantas pessoas ficaram feridas na repressão policial dos protestos em Moçâmedes. Este sábado, há manifestação nacional contra a subida do preço dos combustíveis, o fim da venda ambulante e a nova lei das ONG.

Independentistas e defensores dos direitos humanos estão a ser presos por exercerem o direito à manifestação, acusa a organização de defesa dos direitos humanos.