Piquenique de novo, na Comenda libertada

19 de março 2023 - 22:44

Realizou-se neste domingo o primeiro Piquenique no Parque de Merendas da Comenda, na costa da Serra da Arrábida, perto de Setúbal, após uma batalha de uma disputa longe de terminar.

porJaime Pinho

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Herdade da Comenda. Fotos de Fernando Pinho.

Cerca de 200 pessoas de todas as idades, de Setúbal e arredores, imigrantes, ciclistas, turistas, deixaram de novo ou pela primeira vez encantar-se por este pedaço de paraíso. À medida que a maré ia enchendo a ribeira e as crianças se aproximavam ou entravam na água, sentia-se o sabor da vitória pelo reencontro com a fluidez das águas que quiseram aprisionar, com as suas margens que são domínio público marítimo por definição.

A empresa usurpadora sofreu um forte revés recentemente, como foi noticiado, quando a Câmara de Setúbal concretizou o desejo da população: foi lá com máquinas e pessoal, cortou as vedações e libertou o Parque de Merendas frequentado há muitas décadas e gerações. Trata-se do Fundo Imobiliário SEVEN PROPERTIES, sediado no Dubai, ligado à família Mirpuri, umas das financiadoras do partido Chega, de extrema direita. Esta empresa comprou recentemente uns 600 hectares(!) do parque Natural da Arrábida a uma outra empresa de construção civil.

Jaime Pinho
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Por uma vez o movimento de apropriação pelos milionários de zonas paradisíacas e partes substanciais de Parques naturais e Reservas Ecológicas sofreu um revés. Mas não nos iludamos. Muita mobilização popular será necessária e uma legislação corajosa terá que ser conquistada para travar o conluio e cumplicidade entre os promotores de empreendimentos de luxo e a administração pública que têm como alvo o povo, que pretendem de todas as formas excluir, afastar, proibir a simples passagem pelas dádivas da Natureza.

Alice Brito
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Neste momento aguarda-se que a Câmara conclua a “reconquista” do Parque de Merendas, como prometido, repondo os grelhadores e as mesas (que também foram usurpados) a água e WC.
Entretanto a luta continua nos tribunais. A SEVEN PROPERTIES agarra-se a uma lei que remete para a data de 1864(!!) e que concede aos privados ficarem com áreas de domínio público marítimo, como é o caso. Tal legislação que visa garantir privilégios e apropriação do que deve ser público carece de uma anulação e revisão, porquanto permite abusos ao longo de toda a costa e na foz de rios.

Jaime Pinho
Sobre o/a autor(a)

Jaime Pinho

Professor