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Pedro Sánchez não afasta hipótese de governar com o Ciudadanos

No primeiro debate televisivo antes das eleições de domingo, o líder do PSOE atacou a direita, mas recusou-se a responder se afasta a hipótese de governar com o Ciudadanos.
O primeiro debate entre os quatro maiores partidos espanhóis

O debate a quatro na TVE foi visto por quase nove milhões de telespetadores, mas não trouxe grandes surpresas em relação aos discursos de campanha para as eleições legislativas do próximo domingo. Esta terça-feira os líderes do PSOE, PP, Ciudadanos e Podemos terão nova oportunidade para convencer o eleitorado na reta final da campanha, com novo debate televisivo emitido pela Ante 3, La Sexta e Onda Cero.

Os líderes do PP e do Ciudadanos não esconderam os seus planos para uma aliança pós-eleitoral e apostaram no aumento da tensão com o governo catalão para atacar o atual primeiro-ministro Pedro Sánchez. Pablo Casado e Albert Rivera acusaram Sánchez de querer governar com apoio dos partidos independentistas “que querem destruir Espanha”. O líder do PSOE respondeu que só um governo por si liderado pode restabelecer a convivência em Espanha e prometeu diálogo com as instituições catalãs. Por seu lado, Pablo Iglesias lamentou a linguagem usada pela direita para acicatar o conflito catalão e defendeu que apenas o diálogo pode levar a uma solução para a crise política que se vive desde o referendo reprimido de 2017.

O julgamento dos presos políticos catalães também passou por este debate a quatro, com PP e Ciudadanos a desafiarem Pedro Sánchez a comprometer-se a não indultar os ex-governantes da Catalunha. Sánchez recusou-se a pronunciar-se sobre indultos num julgamento que ainda decorre e Iglesias lembrou que outros governos indultaram os responsáveis pela tentativa de golpe de Estado de 1981.  

No plano económico, ficaram bem vincadas as diferenças entre os dois campos políticos. À direita, Casado e Rivera prometeram acabar com o imposto sucessório e baixar impostos. À esquerda, Sánchez e Iglesias puxaram pelos galões das medidas aprovadas em ano e meio de governo, como o aumento do salário mínimo para 900 euros ou do subsídio de desemprego para maiores de 52 anos. O líder do Podemos fez questão de sublinhar as dificuldades por que passou para conseguir fazer aprovar aqueles aumentos nas negociações com os socialistas.  

PP e Ciudadanos não esconderam que serão aliados num futuro governo em caso de maioria de direita, mas não referiram por uma única vez se a aliança se estenderia ao partido de extrema-direita Vox, ausente do debate na TVE. Ambos apostaram num tom crispado contra Sánchez, que contra-atacou em especial o PP pelo passado de corrupção que esteve na origem do seu governo, empossado após a moção de censura a Mariano Rajoy na sequência da acusação do “caso Gürtel”, o enésimo escândalo de financiamento ilegal do PP.

Pablo Iglesias optou por concentrar-se nas propostas do Podemos em cada área, socorrendo-se muitas vezes de citações dos artigos não cumpridos da Constituição espanhola, que trazia consigo, acusando os adversários de só se lembrarem da Constituição quando querem aplicar o artigo 155 para retirar autonomia à Catalunha. Afirmando querer fazer parte de um futuro governo ao lado do PSOE, Iglesias questionou por três vezes Pedro Sánchez se afastava a hipótese de se coligar com os Ciudadanos. Mas ao contrário de Rivera, que afastou essa hipótese no debate, o líder socialista optou por nunca responder à questão. No minuto final, Pablo Iglesias pediu ao eleitorado “que não acredita que a política mude alguma coisa” uma oportunidade para estar no governo. “Se ao fim de quatro anos não tivermos mudado nada, então não votem em nós nunca mais”, concluiu.

 

 

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