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Espanha: incerteza a uma semana de eleições

Últimas sondagens em Espanha anunciam tendência de crescimento à esquerda, mas sem formar maioria parlamentar. Com resultados muitos próximos entre vários partidos, última semana de campanha poderá ser decisiva.
Sessão no Congresso dos Deputados, câmara baixa do parlamento espanhol. Foto Wikimedia Commons.
Sessão no Congresso dos Deputados, câmara baixa do parlamento espanhol. Foto Wikimedia Commons.

Com eleições legislativas marcadas para o próximo fim de semana, continua sem se vislumbrar uma maioria política clara em Espanha. As últimas sondagens colocam o centro-esquerda e a esquerda em crescimento, mas sem maioria clara. A direita, dividida agora em três partidos com a irrupção pela extrema-direita do partido Vox, parece mais longe mas não definitivamente afastada de uma maioria. Com resultados muito próximos entre vários partidos, mais o fator dos partidos independentistas, a incerteza continua a reinar e muito estará em jogo na reta final da campanha.

Esta segunda-feira foi o último dia em que era permitida a divulgação de sondagens. Todas apontam para um impasse sem qualquer maioria clara à esquerda ou à direita. O PSOE está claramente lançado para ser o partido mais votado, com três sondagens — para o El País, o El Diário e o Publico — a atribuir-lhe cerca de 29% dos votos. Em segundo lugar surge o PP, que oscila nas projeções entre 18% (El País), 20% (Publico) e 24% (El Diário). Seguem-se o partido Ciudadanos entre 14 e 15%, e Unidos Podemos na casa dos 13%. O partido de extrema-direita Vox, que emergiu nas eleições na Andaluzia em dezembro passado, tem resultados entre 8% e 12,5%, que lhe garantem a entrada no parlamento com pelo menos 14 deputados. Os restantes 7 a 8% de votos dividem-se entre meia dúzia de partidos regionais ou independentistas, que poderão ser decisivos na formação de uma maioria.

Em relação às últimas sondagens, a tendência é de crescimento do PSOE e da esquerda, mas sem se vislumbrar um bloco parlamentar que garanta maioria à esquerda (PSOE + Unidos Podemos) ou à direita (PP + Ciudadanos + Vox). O grande derrotado neste momento parece ser o PP, que nas eleições de 2016 conseguiu com o ex-primeiro ministro Mariano Rajoy 33% de votos. A viragem conservadora com o novo líder Pablo Casado não parece estar a estancar uma sangria de votos para o Vox, e o partido arrisca o pior resultado eleitoral desde a sua criação em 1989, afirma o El País. O Unidos Podemos, marcado recentemente por conflitos internos, também enfrenta uma queda significativa face aos 21% que em 2016 o deixaram à beira de ultrapassar o PSOE. Poderá agora ficar reduzido a metade, embora nas últimas semanas esteja numa tendência de recuperação.

O número de indecisos é muito alto, cerca de um quarto dos eleitores, o que possibilita alterações grandes a estas projeções consoante os acontecimentos na última semana de campanha. Esta semana haverá dois debates televisivos entre os principais partidos, que poderão ter efeito nas intenções de voto.

Com estes dados, a imprensa do país vizinho desenha uma multiplicidade de cenários após as eleições. Neste momento, o cenário mais aventado é uma maioria entre PSOE, Unidos Podemos e alguns partidos regionais — por exemplo, a Esquerda Republicana da Catalunha, que o El Pais coloca à frente na região com 13 deputados, que chegariam para completar uma maioria. Outras hipóteses seriam o Compromís ou o PNV, com quem o PSOE governa na comunidade valenciana e no país basco respetivamente. Todavia, com a questão independentista a polarizar fortemente a política espanhola, a radicalizar a direita, e com o PSOE a recusar qualquer referendo sobre a questão, um entendimento com essas forças prevê-se tenso e instável.

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