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Palestina: Israel recusa investigar morte de jornalista, imagens desmentem a sua versão

Este sábado mais um adolescente foi morto e outro ficou gravemente ferido num raide israelita ao campo de refugiados de Jenin. Novas imagens mostram que não havia combates antes do assassinato de Shireen. 40 eurodeputados, entre os quais os bloquistas, exigem “investigação independente e imparcial”.
Israel continua também a expulsar palestinianos das suas casas. Nesta imagem, de sexta-feira, manifestantes palestianianos e israelitas são alvo de gás lacrimogéneo. Protestavam contra a expulsão de pessoas de aldeias em Yatta. Foto ABED AL HASHLAMOUN/EPA/Lusa.
Israel continua também a expulsar palestinianos das suas casas. Nesta imagem, de sexta-feira, manifestantes palestianianos e israelitas são alvo de gás lacrimogéneo. Protestavam contra a expulsão de pessoas de aldeias em Yatta. Foto ABED AL HASHLAMOUN/EPA/Lusa.

O Ministério da Saúde palestiniano anunciou que um adolescente de 17 anos foi morto e que outro de 18 anos ficou gravemente ferido na manhã deste sábado na sequência de um raide das forças militares israelitas ao campo de refugiados de Jenin, na Cisjordânia.

No mesmo local, nesta última semana, já outro palestiniano tinha sido morto e treze outros tinham sido feridos pelas autoridades israelitas que também sofreram uma baixa. A vítima palestiniana dessa incursão foi identificada como sendo Daoud al-Zubaidi, irmão de Zakaria al-Zubaidi, dirigente do braço armado da Fatah, o partido de Mahmoud Abbas, o presidente da Autoridade Palestiniana.

Este ataque fora empreendido passadas apenas algumas horas do violento assalto contra as cerimónias fúnebres da jornalista da Al Jazeera, Shireen Abu Akleh, também ela assassinada pelas autoridades israelitas.

Nos últimos dias, vários órgãos de comunicação social israelita têm dado conta de que as autoridades israelitas não pretendem investigar o assassinato de Shireen. Na quinta-feira, o Ha’aretz noticiou que a Divisão de Investigação Criminal da Polícia Militar de Israel não o faria porque não havia suspeita de atuação criminosa e porque isso levaria a “divisões” no seio da sociedade. Outro jornal, o Jerusalem Post, confirma que há um relatório oficial neste sentido.

O exército de Israel tinha pretendido passar a tese de que haveria confrontos no local e de que a morte teria sido causada por um disparo dos próprios palestinianos no meio do fogo cruzado. As autoridades israelitas fizeram mesmo circular um vídeo onde se viam pessoas, alegadamente palestinianas, a disparar sugerindo que estas tinham culpa pelo sucedido. Contudo, o grupo israelita de defesa dos direitos humanos Btselem e a Al Jazeera confirmaram que do local onde este vídeo foi filmado a jornalista não poderia ter sido atingida por disparos destas pessoas. Em seguida, o lado retratou-se sobre as conclusões que tinha procurado fazer passar através da divulgação dessas imagens.

Depois disto, um novo vídeo, cuja autenticidade foi verificada pela Al Jazeera, corrobora a versão das várias testemunhas no terreno. Nele se veem os jornalistas, claramente identificados enquanto tal, em conversa serena antes do início dos disparos que acabaram por vitimar Shireen.

A família da jornalista declarou que já esperava que Israel não investigasse o sucedido e apela a uma investigação internacional independente. Lembra que os Estados Unidos têm responsabilidade acrescida uma vez que Shireen tinha nacionalidade norte-americana.

Cerca de 40 eurodeputados, entre os quais Marisa Matias e José Gusmão, também exigem uma investigação “independente e imparcial para clarificar as condições em que se produziu o ataque que acabou com a vida de Shireen Abu Akleh e feriu com gravidade Ali Samoudi”.

A missiva, dirigida ao chefe da diplomacia da União Europeia, exige ainda que a União Europeia condene o assassinato. Para além disso, exige-se que Bruxelas “utilize os mesmos critérios aplicados a outros países na condenação de crimes de guerra e imposição de sanções a Israel” e mostra-se preocupação pelas “violações sistemáticas dos direitos humanos e crimes contra a humanidade” por parte de Israel.

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