As autoridades palestinianas informaram que, durante o Natal, e num período de 24 horas, 250 pessoas foram mortas em bombardeamentos israelitas.
Entretanto, os ataques continuam a aumentar exponencialmente o número de mortos e feridos. Durante a noite, mais de 100 pessoas foram mortas num ataque aéreo israelita ao campo de refugiados de Maghazi. Mas o número de vítimas pode ser bastante superior, com algumas famílias a permanecerem ainda presas sob os escombros.
“A equipa da OMS registou testemunhos dilacerantes do pessoal médico e das vítimas sobre os sofrimentos infligidos pelas explosões” no campo de refugiados de Maghazi, afirmou o chefe da organização da ONU, Tedros Adhanom Ghebreyesus, no X.
“Uma criança perdeu toda a sua família no ataque [israelita] sobre o campo. Uma enfermeira do hospital teve a mesma perda, toda a sua família foi morta”, lê-se na publicação.
A agência noticiosa AFP avançou que inúmeros corpos sem vida foram colocados, em sacos mortuários, junto ao hospital Al-Aqsa, em Deir al-Balah, centro da Faixa de Gaza.
Segundo o chefe da OMS, o hospital recebeu cerca de uma centena de feridos após o bombardeamento.
“O número de doentes acolhidos pelo hospital ultrapassa de longe as suas capacidades em camas e em pessoal”, alertou Tedros Adhanom Ghebreyesus, assinalando que “muitos não vão sobreviver à espera”.
“Este último ataque sobre uma comunidade de Gaza demonstra por que motivo é necessário um cessar-fogo imediato”, escreveu ainda o responsável da OMS.
Sean Casey, membro da missão da organização, assistiu aos cuidados prestados a um rapaz de 9 anos gravemente ferido: “Foi simplesmente tratado através de um sedativo para aliviar o seu sofrimento, antes de morrer”, detalhou.
“Ninguém conseguiu fazer nada por ele. Como em tantos outros casos, não existem condições para abordar casos neurológicos complexos, casos de traumatismos complexos”, alertou.
Sean Casey explicou ainda que “as salas de operações trabalham 24 horas sem interrupção e que “a sala de urgências está muito abaixo das suas capacidades”.
“Uma situação inaceitável, que tem de parar”, vincou.
As imediações dos campos de refugiados de Bureij e Nuseirat também estão a ser atacadas. Já em Khan Younis, no Sul, pelo menos sete pessoas morreram e inúmeros feridos têm chegado ao Complexo Médico Nasser. O Crescente Vermelho Palestiniano informou que várias pessoas ficaram feridas durante um ataque da artilharia israelita contra o seu quartel-general nesta cidade, onde milhares de deslocados internos se encontram refugiados. Em Rafah, os ataques persistem e, apesar das diretivas militares israelitas designarem-na como uma “zona segura”, os palestinianos deslocados não encontram segurança.
Israel intensifica ofensiva e recusa vistos a ONU
Benjamin Netanyahu garantiu no dia de Natal que a guerra está longe de terminar e que vai intensificar ofensiva. "Destruir o Hamas, desmilitarizar e desradicalizar" são, de acordo com um artigo de opinião do primeiro-ministro israelita no jornal The Wall Street Journal, as suas exigências para a paz.
Segundo a EFE, o ministro dos Negócios Estrangeiros israelita afirmou esta segunda-feira que deu instruções aos funcionários do seu ministério para recusarem a prorrogação dos vistos e recusarem novos pedidos de visto a funcionários das Nações Unidas (ONU), noticiou a EFE.
"A conduta da ONU desde 7 de outubro é uma vergonha para a organizaçao e para a comunidade internacional, a começar pelo Secretário-Geral [António Guterres], que legitimou crimes de guerra e crimes contra a humanidade, passando pelo Alto Comissário para os Direitos Humanos, que publica calúnias de sangue sem fundamento", afirmou Eli Cohen numa mensagem na sua conta da rede social X (antigo Twitter).
Cisjordânia também é alvo de ataques
A equipa da Al Jazeera na Cisjordânia ocupada referiu que Khalida Jarrar, membro do Conselho Legislativo Palestiniano e do grupo político Frente Popular para a Libertação da Palestina, foi preso em Ramallah. O Hamdah Salhut sublinhou que os ataques contínuos de Israel em Nur Shams, Tulkarem, foram descritos pelos habitantes locais como um dos maiores desde o início da guerra.
O Escritório das Nações Unidas para Assuntos Humanitários nos Territórios Palestinos Ocupados (OCHA) deu conta de demolições em Furush Beit Dajan e em Deir Ballut. A agência da ONU classifica as estruturas demolidas como incluindo edifícios residenciais, “relacionadas com meios de subsistência, relacionadas com serviços ou parte de infra-estruturas”.
Papa pede cessar-fogo e solução para a questão palestiniana
O papa Francisco apelou na segunda-feira ao fim "as operações militares" em Gaza e a uma "solução à questão palestiniana". Na sua mensagem de Natal, afirmou esperar que a paz "chegue a Israel e Palestina, onde a guerra sacode a vida dessas populações" e instou a "que não se continue a alimentar a violência e o ódio, e sim que se encontre uma solução para a questão palestiniana, através de um diálogo sincero e perseverante entre as partes, sustentado por uma forte vontade política e o apoio da comunidade internacional".