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Oito sindicatos da CGTP demarcam-se de posição oficial da intersindical sobre Ucrânia

Em posição conjunta é assinalado que a posição da CGTP representa um "desvio da linha histórica" e que "todas as ações imperialistas, independentemente do Estado que as realize, são condenáveis e combatidas sem tibiezas e a solidariedade com o Estado e com o Povo agredido assumida com clareza".
Foto de CGTP.

Em conferência de imprensa realizada esta sexta-feira no Hotel VIP Zurique, em Lisboa, os oito sindicatos filiados na central sindical assumiram uma posição de "condenação veemente" da invasão russa da Ucrânia.

Os dirigentes sindicais reconheceram existirem "diferenças" relativamente à linha oficial da CGTP, que representa representa um "desvio da [sua] linha histórica" e lamentaram as "atitudes menos claras que acabam por branquear e desculpabilizar uma ação impossível de aceitar".

Na posição conjunta divulgada, as estruturas sindicais frisam que "todas as ações imperialistas, independentemente do Estado que as realize, são condenáveis e combatidas sem tibiezas e a solidariedade com o Estado e com o Povo agredido assumida com clareza".

Os dirigentes sindicais, que exortam a uma solução sob a égide das Nações Unidas, referem que a sua posição, ao contrário do que acontece com a posição oficial da intersindical, “segue em linha” com “todo o passado de mais de 50 anos de luta da CGTP-In” pela paz e de solidariedade para com os trabalhadores de todo o mundo.

Carlos Trindade, presidente da Mesa da Assembleia-Geral do STAD, explicou aos jornalistas que “não é uma rutura com a direção [da CGTP], é uma diferença clara com as posições que a direção de forma maioritária tomou nesta matéria, posições estas em que estas organizações não se reconhecem, que não refletem a sua opinião”. "Existem divergências, não as escamoteamos, mas continuaremos dentro da CGTP porque a CGTP é nossa", afirmou Carlos Trindade aos jornalistas.

"Tentámos ao longo dos últimos quatro meses que a CGTP mudasse, mas não conseguimos e não podemos ficar calados, porque a História não nos iria perdoar", acrescentou Fátima Carvalho, do Sindicato do Vestuário do Centro.

Em reunião da Conferência Europeia dos Sindicatos, a CGTP absteve-se num voto de protesto contra a invasão russa da Ucrânia.
 Durante vários meses, foram apresentadas inúmeras propostas pelas correntes minoritárias – afetas ao PS e Bloco de Esquerda -, mas as iniciativas nem sequer foram discutidas nos órgãos diretivos da central. Acresce que, há dois meses, os oito sindicatos enviaram uma carta à secretária-geral da CGTP pedindo um encontro. Contudo, Isabel Camarinha recusou recebê-los em conjunto.

O documento agora divulgado representa a posição político-sindical do Sindicato dos Enfermeiros da Região Autónoma da Madeira (SERAM); Sindicato dos Trabalhadores de Serviços de Portaria, Vigilância, Limpeza, Domésticas e Actividades Diversas (STAD); Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços do Minho (CESMINHO); Sindicato dos Trabalhadores do Sector Têxtil da Beira Alta; Sindicato dos Trabalhadores Têxteis, Lanifícios e Vestuário do Centro; Sindicato Livre dos Pescadores e Profissões Afins; Sindicato Nacional dos Profissionais da Indústria e Comércio do Calçado, Malas e Afins; Sindicato Nacional dos Técnicos Superiores de Saúde das Áreas de Diagnóstico e Terapêutica (STSS).

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