Oftalmologistas contra as armas de Macron

10 de março 2019 - 11:22

35 dos mais conhecidos oftalmologistas franceses escreveram uma carta aberta ao presidente francês. Exigem uma moratória ao uso das armas chamadas de “Lançamento de Balas Defensivas” que têm sido responsáveis pela perda de visão de muitos manifestantes.

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Foto de Daniel BRIOT/Flickr

Jêrome Rodrigues é o caso mais conhecido. Tem sido apresentado como um dos “líderes” dos coletes amarelos e perdeu a visão numa das manifestações devido a um tiro de uma LBD da polícia francesa. Mas há mais centenas de casos iguais em que estas armas causaram traumatismos oculares graves, incluindo cerca de duas dezenas de casos, confirmados num artigo científico, de perda total de visão.

Contra isso, 35 dos mais conhecidos oftalmologistas franceses escreveram há um mês uma carta ao presidente francês. Dizem que “uma tal 'epidemia' de casos de feridas oculares gravíssimas nunca tinha acontecido”. Querem por isso uma “moratória” à utilização das armas de lançamento de balas de defesa.

Macron não lhes deu resposta. Assim, este sábado, tornaram pública a carta em que esclarecem que a sua finalidade “é unicamente a de médicos, puramente humanista, com a finalidade única de evitar outras mutilações”, lesões que estão “para além de qualquer recurso terapêutico”.

Do lado do governo, o secretário de Estado do Interior, Laurent Nuñez, confirma que, durante as manifestações do coletes amarelos 13 mil balas foram disparadas e há 2.200 manifestantes feridos. As LBD 40 são armas ditas “não letais”, fabricadas na Suíça e utilizadas pela polícia francesa em manifestações. Os responsáveis policiais confirmam “maus usos” mas não colocam em causa o uso destas armas. O diretor geral da polícia, Eric Morvan, enviou uma nota a esclarecer as “condições operacionais” a que está submetido o uso das LBD, atendendo aos princípios da “necessidade e da proporcionalidade”. Realçou o respeito por “intervalos de distância”, esclareceu se deve disparar apenas para “o torso bem como para os membros superiores ou inferiores”.

As indicações não acalmaram os protestos da opinião pública contra o uso destas armas que, antes dos coletes amarelos, já tinham sido utilizadas nas manifestações dos estudantes do ensino secundário. Para além da carta dos oftalmologistas agora conhecida, em dezembro cerca de 200 personalidades francesas tinham já apelado ao fim do uso das LBD, considerando-as perigosas e inadequadas para uso em manifestações.