Em declarações para o Esquerda.net na passada quinta-feira, a estudante de pintura da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa explicou que este não é um “coletivo individual”: “Não somos só Ocupa FLUL, somos um movimento mundial, que é o End Fossil: Occupy!, e somos organizados pela Greve Climática Estudantil”, frisou.
Sobre as razões que levaram a uma nova vaga de ocupações, Leonor explicou que estavam planeadas, a nível mundial, duas ocupações, “uma para o primeiro semestre e uma agora para maio”, sendo que “Portugal começou um pouco mais cedo”, logo após as comemorações do 25 de Abril, “obviamente por uma razão simbólica”.
A porta-voz do Ocupa FLUL acrescentou que os estudantes sabiam desde o princípio que o objetivo era “ocupar até vencer”.
“Ainda não vencemos, daí a nova vaga de ocupações”, apontou.
Leonor alertou que estamos a chegar a um limite, e que não podemos esperar mais para agir.
“Estamos a caminhar para um aquecimento global com uma temperatura superior a 1,5º, o que os cientistas determinam como catastrófico para o ambiente”, realçou.
“Todas as medidas que os governos a nível mundial estão a tomar, mesmo com todas as cimeiras do clima e os acordos da União Europeia, estão a levar-nos para um aquecimento global de 3º. Os cientistas nem sequer conseguem descrever o impacto que este aquecimento vai ter porque as consequências são impensáveis e catastróficas”, continuou.

A ativista estudantil lembrou que, atualmente, estamos a ser confrontados com temperaturas recorde em Portugal: “Isto é real, e está acontecer neste momento”, assinalou.
Leonor falou ainda sobre o “medo e ansiedade” que a crise climática provoca: “Nos próximos anos vão existir secas, fome, pandemias, migrantes climáticos, etc. É um futuro que eu não quero viver”.
Para a porta-voz do Ocupa FLUL!, é urgente “chamar a atenção dos governos” e dizer-lhes que “isto não é algo que vai acontecer depois, não é algo que podemos tratar depois”.
“Não podemos passar ao lado do que está a acontecer e pôr o lucro à frente” do nosso futuro, defendeu.
E é exatamente por isso que os estudantes continuam a sua luta, para "parar com a inércia e com o faz de conta que estão a ouvir os estudantes, quando na verdade não há medidas”.
“Precisamos desesperadamente de uma transição justa e renovável e do fim ao combustível fóssil”, enfatizou Leonor.

E, para que tal aconteça, é fundamental a mobilização. A estudante recordou movimentos de ocupações de escolas, “como as que se realizaram em Maio de 68, ou durante os protestos contra as propinas", e destacou a importância da “mobilização civil e estudantil” para que exista uma mudança no sistema. Leonor referiu, inclusive, que garantir a mobilização massiva dos estudantes contribui para que as suas vozes efetivamente sejam ouvidas pelo Governo.

A porta-voz do Ocupa FLUL afirmou ainda que “as universidades e os seus diretores têm um papel muito importante na visibilidade” desta luta, lamentando que, na reunião com o diretor da FLUL, Miguel Tamen tenha afirmado que a Faculdade terá de se manter neutra.

A ocupação da FLUL teve início na passada quarta-feira, 26 de abril. Desde então, já foram realizadas atividades artísticas e palestras sobre temas como “Parar o Gás” e “Clima e Feminismo”. É ainda garantido almoço e jantar vegan gratuito todos os dias. Leonor explicou que as ações têm sempre como mote a ciência climática, justiça climática, justiça social, e que são abertas a quem queira participar. O calendário de atividades é “anunciado dia a dia”, à medida que o movimento vai “delineando a sua estratégia”.
Uma coisa é certa: as ocupações, em escolas e universidades de Lisboa, Porto, Faro e Coimbra, vão continuar.

Os estudantes, cujas principais reivindicações são o fim do fóssil até 2030 e a eletricidade 100% renovável e acessível para todas as famílias até 2025, prometem continuar a iniciativa até que 1.500 pessoas se comprometam a participar na ação de desobediência civil no terminal de gás em Sines, organizada pela plataforma “Parar o Gás”, no dia 13 de maio.