Os estudantes estão determinados e prometem não desmobilizar até que as suas duas reivindicações principais sejam atendidas: o fim do investimento em combustíveis fósseis em Portugal até 2030 e eletricidade de fontes 100% renováveis, acessível para todas as famílias, até 2025. Ou, em alternativa, até que 1.500 pessoas se comprometam a participar numa ação com vista a bloquear o porto de Sines a 13 de maio.
Esta quarta-feira, a “Primavera das Ocupas” arrancou com a ocupação das Faculdades de Psicologia e de Letras da Universidade de Lisboa e da Escola Secundária Luísa de Gusmão, também em Lisboa. Mas outros estabelecimentos de ensino de norte a sul do país contaram com iniciativas, como é o caso da Escola Secundária Tomás Cabreira, em Faro, da Escola Secundária Josefa de Óbidos, em Lisboa, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, ou da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, entre outros. Nestes locais as ocupações terão início a 2 e 8 de maio.
Na Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa, os estudantes montaram tendas no átrio da Faculdade. Teresa Cintra, porta-voz do núcleo da Faculdade de Psicologia e do Instituto de Educação (FPIE), do movimento “Fim ao Fóssil Ocupa!”, explicou à Lusa que “a ação que decorre na FPUL é de disrupção” com apresentação de palestras em sala de aula.

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“Os primeiros dias vão ser mais de palestras, vamos dar uma palestra numa aula, vamos apresentar as ocupas (…), falar sobre a crise climática, ter palestras sobre capitalismo versus crise climática, uma série de temas… e contamos ter outros projetos”, detalhou.
A ativista acredita que este protesto dará mais visibilidade à causa climática e levará a uma maior mobilização: “As pessoas vão perceber que este é um problema que vai afetar toda a gente de forma inimaginável e que todas as pessoas vão perceber que se têm de juntar a nós, que quiserem garantir um futuro de qualidade”, frisou.

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A ocupação da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa também teve início esta quarta-feira com a instalação de tendas no átrio e a pintura de uma faixa com a frase: "Fim ao Fóssil. Ocupa". Pelo chão, cravos vermelhos.
Na Escola Secundária Luísa de Gusmão foram distribuídos panfletos logo pela manhã e entoadas palavras de ordem ao microfone. Kira Cruz, de 15 anos, montou uma tenda bem na entrada do estabelecimento de ensino, mas a polícia foi chamada a intervir e, prontamente, dez agentes se certificaram que o equipamento era removido.

Foto Esquerda.net.
A estudante garantiu ao Esquerda.net que a iniciativa terá continuidade, e lamentou que fosse chamado um contingente policial para a demover de um protesto pacífico.

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“Planeta não tem preço, quero o mundo que mereço” foram as palavras de ordem mais entoadas pelos estudantes que “invadiram” o átrio da Faculdade de Letras. Sara Baquissy, porta-voz em Coimbra do movimento "Fim ao Fóssil: Ocupa”, explicou à Lusa que o objetivo deste protesto foi “chamar a atenção” para esta luta e informar da ação marcada para dia 2 de maio. “Vai ser um dia de pluriatividades, com palestras, sessões e um ‘workshop’ de ativismo”, destacou. Foram penduradas na entrada da Faculdade duas faixas onde se podia ler a preto “Fim ao Fóssil” e “Ocupa Coimbra, Fim ao Fóssil.
“A polícia acabou por nos vir dizer para retirar as tarjas, o que acabámos por fazer”, referiu o estudante Dani Oliveira.
Na Escola Secundária Tomás Cabreira, foram distribuídos panfletos. De acordo com Mourana Monteiro, ativista do movimento "Fim ao Fóssil: Ocupa!", as ações previstas, entre debates, palestras e rodas abertas, de participação livre, culminam, a 8 de maio, com a ocupação da Escola Tomás Cabreira e da Universidade do Algarve (UALg).
"Hoje é o evento de lançamento, em que queremos dizer às pessoas, às comunidades, que não podemos continuar na normalidade e que é preciso uma disrupção para acabar com a destruição [do planeta]", referiu a aluna de mestrado em Neurociências Cognitivas e Neuropsicologia em declarações à Lusa.