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“O sistema financeiro já recebeu demais, está na altura de investir nas pessoas”

Catarina Martins esteve em Beja para apresentar a lista do Bloco e defender que é altura de investir no país e “acertar as contas” com a banca que está a dever 17 mil milhões aos contribuintes.
Catarina Martins em Beja
Catarina Martins em Beja. Foto de Paula Nunes

Numa sessão pública que contou com música de Francisco Fanhais e em que também intervieram o mandatário da candidatura bloquista pelo círculo de Beja, Alberto Matos, e a cabeça de lista e ex-deputada Mariana Aiveca, Catarina Martins começou por destacar as lutas protagonizadas por trabalhadores do distrito.

“Aqui temos quem conseguiu uma das maiores conquistas desta legislatura: que os trabalhadores das lavarias das minas tivessem acesso ao desgaste rápido para a sua reforma, que é o seu direito”, sublinhou Catarina, por entre aplausos de alguns destes trabalhadores que marcaram presença na sessão ao ar livre. E lembrou que mesmo passando por “greves duras, chantagem e repressão”, estes trabalhadores “não desistiram e fizeram acontecer”.

Outra luta social importante no Alentejo foi a dos trabalhadores migrantes. Por isso, “aqui em Beja, é bom lembrar que se hoje há uma lei contra o trabalho forçado e escravo é porque se levantou quem aqui disse que é uma vergonha estar a tratar os trabalhadores migrantes como escravos”, recordou Catarina. “Se alterámos as leis para dar autorização de residência a quem desconta para a Segurança Social todos os meses é porque tivemos manifestações inéditas na Assembleia da República de trabalhadores migrantes que exigiram ser tratados com dignidade”, prosseguiu a coordenadora bloquista, concluindo que “esse é o país que nós queremos: o país em que quem trabalha é tratado com dignidade, não é o país dos vistos gold”.

Para além da defesa de mudanças na lei laboral para repor os 25 dias de férias e as compensações por despedimento e reverter o corte nas horas extraordinárias, e do fim do fator de sustentabilidade e dos cortes abusivos nas pensões, Catarina Martins destacou a necessidade de reforçar o investimento público, respondendo aos que “dizem que não pode ser”.

Para a coordenadora do Bloco, o problema não é a falta de recursos, pois “nós não nos esquecemos nunca dos 25 mil milhões de euros que foram entregues o sistema financeiro, aos bancos que continuam a sangrar a nossa economia”. A conclusão veio a seguir: “O sistema financeiro já recebeu demais, está na altura de investir nas pessoas e investir no país”.

“Não podemos mais ter uma supervisão bancária que é um banqueiro entre banqueiros”

Sem poupar críticas aos bancos que após serem resgatados pelos contribuintes na sequência da crise financeira “ainda andaram a assaltar os seus clientes, com um conluio que incluiu toda a gente, até o banco público”, Catarina questionou como é possível a supervisão “nunca ter visto nada” e a Caixa Geral de Depósitos “ter entrado num esquema destes de assalto do país”.

“A solução é mudar as regras”, propõe o Bloco. E para isso “não podemos mais ter uma supervisão bancária que é um banqueiro entre banqueiros, ou um banco público que se comporta com as piores práticas dos bancos privados”, prosseguiu.

Mas é também preciso “garantir que aqueles 17 mil milhões de euros que não foram pagos são transformados em capital público nesses bancos”, porque “quem paga, manda”, defendeu Catarina. “Acertar as contas é isto: uma supervisão que seja eficaz, o controlo público em todos os bancos que têm dinheiro do Estado, e uma estratégia para a banca pública que seja transparente e em nome da economia e do emprego”, concluiu.

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