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"O novo confinamento não pode ser um fardo para os trabalhadores"

Após a reunião do Infarmed, Moisés Ferreira defendeu medidas de proteção de emprego e proibição de despedimentos em empresas com lucros, apoio aos setores da restauração, cultura e a trabalhadores precários e informais.
Moisés Ferreira, deputado do Bloco
Foto de Tiago Petinga | Lusa

No fim da reunião do Infarmed desta terça-feira, o deputado bloquista Moisés Ferreira referiu que “temos uma incidência que se regista em quase todo o país”, o que torna a situação “insuportável para os serviços de saúde”.

“Ter um confinamento urgente é a resposta para reduzir os internamentos, para reduzir os novos casos diários e é a resposta também para preservar o SNS”, apontou Moisés Ferreira.

O deputado do Bloco defendeu que “um novo confinamento não pode ser um fardo para os trabalhadores. Têm de ter associadas medidas de proteção do emprego e proibição de despedimentos em empresas com lucros, medidas de apoio aos setores da restauração ou cultura, precários e trabalhadores informais”. E estas medidas têm de ser medidas concretas, acrescentou.

Moisés Ferreira lembrou que em dezembro soube-se que há milhares de trabalhadores a recibos verdes que esperam há meses por uma resposta da Segurança Social para o acesso ao apoio. “É intolerável que isto aconteça”, acrescentou.

Com as famílias a serem de novo afetadas pelo próximo confinamento, o deputado frisou “que todas as pessoas e todas as famílias devem ter acesso a bens essenciais e a direitos essenciais, como a eletricidade, o gás e a habitação”.

Requisição civil dos hospitais privados: “Medida já devia ter avançado há muito”

Sobre a requisição civil dos hospitais privados, uma medida que foi defendida pelo Bloco desde o início, Moisés Ferreira disse que "hoje é mais do que evidente que a medida já devia ter avançado há muito. Não temos a certeza ainda que isso vá avançar, nada nos indica isso das palavras de ontem da senhora ministra”.

“Portugal é dos países que está a gastar menos nas medidas de apoio à economia. Muitos países colocam uma percentagem significativa do PIB para apoio à economia, mas o governo tem dado prioridade ao défice para agradar a Bruxelas”, salientou.

Milhares de inquéritos epidemiológicos por concluir e linha SNS24 sob forte pressão

De acordo com o Diário de Notícias (DN), a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo divulgou um anúncio, que está a ser difundido pelo Whatsapp, a recrutar licenciados “de preferência na área da saúde”, com contratos a termo incerto, até ao final da pandemia, para a realização de inquéritos epidemiológicos.

O presidente da Associação Portuguesa de Médicos de Saúde Pública, em declarações ao DN, afirmou que “há milhares de inquéritos epidemiológicos por concluir” e acrescentou que assim “não é possível interromper as cadeias de transmissão”.

A linha SNS24 bateu recordes em 2020 ao atender 4 milhões de chamadas, o triplo do ano anterior, mas o centro de contacto do SNS24 está sob uma enorme pressão, segundo o jornal Público.

Na primeira semana do ano 2021, os técnicos de saúde atenderam mais de 27 mil chamadas por dia. O Público cita um balanço dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) e informa que só em outubro e novembro foram realizadas 1.424.946 chamadas, “um número praticamente igual ao de 2019 (1.485.808)”.

Os SPMS não revelam a percentagem de chamadas que não são atendidas, mas em setembro passado as chamadas atendidas rondavam os 96%.

Além de enfermeiros, o centro de contacto conta agora com psicólogos, farmacêuticos, médicos dentistas, estudantes do sexto ano de Medicina e administrativos distribuídos por Lisboa, Porto, Braga, Algarve, Covilhã e Vila Nova de Gaia, com um total de 369 postos de atendimento. 

 

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