Lutas

França em greve contra a austeridade

18 de setembro 2025 - 12:33

Uma semana após o protesto dos bloqueios, desta vez são os sindicatos a apelar a manifestações em todos os setores da economia. Centenas de milhares de pessoas saem às ruas em mais de 250 manifestações.

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Manifestação em Montpellier
Manifestação em Montpellier esta quinta-feira. Foto de Guillaume Horcajueo/EPA

As medidas de austeridade anunciadas na proposta de Orçamento do Estado pelo antigo primeiro-ministro François Bayrou não foram descartadas pelo seu sucessor Sébastien Lecornu. E é contra elas que os franceses protestam esta quinta-feira, no que será o maior protesto desde 2023, por altura da reforma das pensões, e também a primeira vez desde esse ano que os sindicatos apelam a manifestações em todos os setores, convocadas por CFDT, CGT, FO, CFE-CGC, CFTC, Unsa, FSU e Solidaires.

Entre as medidas contestadas pelos sindicatos estão os novos cortes nos serviços públicos, as mexidas na lei do trabalho e no subsídio de desemprego, o congelamento das prestações sociais e dos salários, a desindexação das pensões de reforma e o ataque à quinta semana de férias pagas. Medidas que o Governo justificava com o combate ao défice, após ter garantido inúmeras borlas fiscais aos mais ricos sem contrapartidas, denunciam os sindicatos.

As primeiras manifestações ocorreram durante a manhã, com a CGT a divulgar a participação de 20 mil pessoas em Montpellier e 15 mil em Grenoble, números acima da mobilização de dia 10 do movimento “Bloqueemos Tudo”.

No ensino secundário, a Snes-FSU, principal sindicato, aponta 45% de adesão à greve e o encerramento de várias escolas, numa greve comparável ás de 2023 contra a reforma das pensões. Também no ensino superior houve portas fechadas, como no campus de Tolbiac (Paris 1), bloqueado ao longo de várias horas pelos estudantes. Nos transportes, a maior parte dos metros e comboios só circularão nas horas de ponta e a circulação de autocarros está muito condicionada.

Às 10h da manhã havia a registar cerca de 80 bloqueios de estradas, estações de transportes e escolas, boa parte dispersos pela polícia com recurso à violência física e gás lacrimogéneo. São esperados 900 mil manifestantes nas previsões policiais ao longo do dia, com 80 mil polícias nas ruas, um dispositivo semelhante ao utilizado nos protesto de 10 de setembro. Ao final da tarde a CGT anunciou a participação de mais de um milhão de pessoas nos protestos, um número acima do da última manifestação contra a reforma das pensões em junho de 2023.

Em Marselha, a manifestação contou com muitos milhares de pessoas, entre as quais o líder da França Insubmissa. Jean-Luc Mélenchon acusou o recém-empossado primeiro-ministro de ser “a nova marioneta minoritária e ilegítima de Macron” e insistiu que é preciso que o Presidente “se vá embora”, responsabilizando-o pela atual situação. “Ele perdeu as últimas três eleições e quatro primeiros-ministros”, prosseguiu, comparando este palmarés com o de De Gaulle, que “se foi embora por ter perdido um referendo sobre as regiões e o Senado”. Quanto a Sébastien Lecornu, Mélenchon defendeu que ele deve fazer o mesmo que o antecessor no cargo e pedir um voto de confiança ao Parlamento.