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“O futuro da saúde tem de ser centrado no acompanhamento da doença crónica”

Catarina Martins visitou a associação de diabéticos, falou sobre o alargamento das bombas de insulina aos jovens, medida proposta pelo Bloco e aprovada no parlamento, e apontou que a uma nova lei de Bases da Saúde “devem juntar-se práticas concretas para um novo paradigma”.
Catarina Martins e Jsé Manuel Boavida, presidente da APDP - Foto de Paula Nunes
Catarina Martins e Jsé Manuel Boavida, presidente da APDP - Foto de Paula Nunes

A coordenadora do Bloco de Esquerda visitou, nesta quinta-feira 12 de setembro, a Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP), a convite da instituição. “A associação tem um trabalho extraordinário no acompanhamento das pessoas com diabetes”, elogiou Catarina Martins, que destacou dois temas na conversa com a APDP: a bomba de insulina para os jovens até aos 18 anos e o acompanhamento da doença crónica, questão essencial para o futuro da saúde e da qualidade de vida.

Acesso à bomba de insulina para os jovens até aos 18 anos

Sobre a avaliação da bomba de insulina para os jovens até aos 18 anos, uma alteração legislativa pela qual o Bloco de Esquerda “lutou bastante”, Catarina Martins relatou: “Estivemos a falar com jovens que têm agora essa experiência e que nos disseram como a bomba de insulina melhora a sua qualidade de vida e evita episódios agudos”.

“Temos agora que garantir que há formação de equipas médicas, de enfermagem, acompanhamento em todo o país para que a gratuitidade da bomba, que o SNS já garante, seja efetiva, porque para os doentes a utilizarem precisam de ter acompanhamento”, sublinhou Catarina Martins, apontando que “nalguns distritos do interior ainda não há equipas que promovam este acompanhamento”.

“Temos agora de garantir que há equipas em todo o país formadas para que esse acompanhamento possa ser feito e a bomba possa ser colocada”, reforçou, acrescentando a necessidade de, noutra fase, estudar o alargamento das bombas de insulina ao resto da população que sofre de diabetes e deva usá-las.

Projeto para o alargamento da bomba de insulina a maiores de 18 anos

Mudar o paradigma da saúde

“Ligado também a esta realidade do panorama que mudou com as bombas de insulina, porque de repente a doença crónica ficou mais controlada e portanto tem menos episódios agudos, estivemos a conversar sobre a necessidade de mudar o paradigma da saúde”, disse Catarina Martins.

“Temos uma nova lei de Bases da Saúde, a esta nova lei devem juntar-se práticas concretas para um novo paradigma. Portugal tem cada vez mais gente com doenças crónicas. Por um lado, porque a esperança de vida é maior. Por outro lado, porque doenças mortais hoje são doenças crónicas e portanto nós precisamos de ter uma saúde mais vocacionada para a qualidade de vida das pessoas com doença crónica”, explicou a coordenadora bloquista.

“O caminho do futuro da saúde para uma esperança de vida com qualidade tem de ser centrado no acompanhamento da doença crónica que é cada vez mais comum no nosso país”, afirmou em conclusão Catarina Martins.

Seis milhões afetados pela diabetes

Nas suas declarações à comunicação social, o presidente da APDP, José Manuel Boavida, começou por destacar que a diabetes “atinge em Portugal cerca de seis milhões de portugueses, um milhão e meio porque tem diabetes, um milhão e meio porque estão em risco de vida de ter diabetes, três milhões de pessoas porque vivem com pessoas com diabetes”.

“Este número precisa que seja discutido nesta campanha”, afirmou José Manuel Boavida, informando que por isso a associação convidou os partidos a visitá-la, o que aconteceu com o PS, o PCP e o Bloco de Esquerda, nesta quinta-feira.

“Esta associação está neste momento à espera de fazer um novo contrato, temos exigido que sejamos integrados no SNS, é um pouco isto que temos discutido com todos estes partidos e dos quais temos recebido sempre um incentivo e um reconhecimento pelo trabalho que a associação tem feito em Portugal”, afirmou o presidente da APDP.

“É a mais antiga associação de diabéticos do mundo, passam por esta instituição 300 a 400 pessoas por dia, vemos todos os anos cerca de 70 mil pessoas, 20 mil aqui e 50 mil nos centros de saúde”, salientou José Manuel Boavida, destacando que “tudo isto merece uma atenção muito grande e não podemos, num processo eleitoral como este, deixar de colocar o problema que a diabetes tem”.

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