A Campanha Gás é Andar para Trás considera que a terceira conexão via gasoduto entre Portugal e Espanha, de Celorico da Beira até Zamora, com seguimento no gasoduto entre Barcelona a Marselha (nova ligação entre Espanha e França), é uma “infraestrutura ociosa que nos prende ao vício do gás fóssil, garante o caos climático e impede reais soluções”.
Ao contrário do que é anunciado pelo governo português, o “novo gasoduto não vai transportar energia renovável”. De acordo com os ativistas climáticos, “a denominação ‘corredor de energia verde’ é mais uma tentativa do governo português de pintar de verde um projeto poluente e criminoso”.
A Campanha Gás é Andar para Trás explica que “as energias renováveis não necessitam de um gasoduto” e desmente o argumento do executivo de que o gasoduto é "verde" porque servirá para transportar hidrógenio, algures no futuro.
“Em primeiro lugar, hidrogénio não é uma energia renovável, precisando de uma fonte de energia para ser produzido. Não há garantia de qual será a energia utilizada para produzir esse hidrógenio, sendo a maioria do hidrógenio atualmente produzido através de combustíveis fósseis. Em segundo lugar, sabemos que a atual infraestrutura de gasodutos não tem capacidade técnica para transportar 100% hidrógenio visto ser um gás extremamente instável e que cria microfissuras nos gasodutos”, escrevem os ativistas.
Na realidade, "a infraestrutura de gasodutos atual é capaz de transportar no máximo 20% de hidrogénio necessitando de ser misturado com outros gases. Assim, mesmo no melhor cenário, será necessário que no mínimo 80% da matéria a ser transportada seja ‘gás natural’, um combustível fóssil com emissões”, continuam.
A Campanha Gás é Andar para Trás denuncia que “este projeto fóssil desvia financiamento público”, assinalando que estão em causa “milhões de euros de fundos públicos a serem utilizados para uma nova infraestrutura fóssil ao invés de serem utilizados para a construção de infraestruturas de energias renováveis e para garantir uma transição justa para todos os trabalhadores da indústria fóssil”.
Para os ativistas, “em plena crise climática, um gasoduto é uma arma de crime contra a vida e uma infraestrutura ociosa que nos prende ao caos climático e impede a real transição”.
Acresce que “o novo gasoduto não vai levar a preços de energia e de gás mais baratos”, sendo que “a causa principal da inflação atual é gás fóssil, como refere a Agência Internacional de Energia”.
Neste contexto, “a construção de novas infraestruturas de gás fóssil só alimenta este vício e especulação”.
E é por isso que “o movimento pela justiça climática reitera a sua posição”, repudiando a “construção de mais armas de crime contra a vida de todas as pessoas que têm com único fim o lucro da indústria fóssil”.