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Nova Zelândia revê lei das armas

Depois do atentado de extrema-direita que causou 50 vítimas mortais, a primeira-ministra neozelandesa anunciou uma reforma da lei das armas. O governo neozelandês vai também discutir com o Facebook a transmissão direta de vídeos e várias empresas ponderam retirar anúncios das redes sociais.
Foto de big-ashb/flickr

Os ataques às duas mesquitas em Christchurch geraram um debate nacional na Nova Zelândia sobre a facilidade no acesso a armas. Brenton Tarrant comprou online quatro armas na loja da cidade, a Gun City, e recebeu-as por encomenda postal. Contudo, o dono da loja nega que a arma utilizada para assassinar 50 pessoas e deixar quase outras tantas feridas tenha sido uma delas.

A primeira-ministra está decidida a dificultar o acesso a armas mas não adianta ainda novidades sobre as propostas para o fazer. A única declaração mais concreta neste sentido foi a de que apoia a proibição de armas semi-automáticas.

Esta proibição deverá seguir o que se passa atualmente no país vizinho. Também na sequência de um tiroteio, em 1996, em Port Arthur, que causou 35 vítimas mortais, a Austrália baniu a venda de armas semi-automáticas e empreendeu uma campanha de entrega armas. Jacinta Ardene também já fez o mesmo, apelando à entrega de armas.

Esta está longe de ser a primeira tentativa de alteração da lei das armas. Desde que um atirador, devido a discussão de vizinhos, matou 13 pessoas a tiro em 1990, em Aramoana, que a questão da facilidade de acesso a armas tem sido levantada. E, desde 2010, as tentativas de reforma da lei têm sido anuais mas o lóbi das armas e dos caçadores tem levado a melhor.

Mas não é só o acesso a armas que está a ser questionado. Também a difusão do sucedido em direto nas redes sociais levou o governo neozelandês a agir. Ardene afirmou que vai agendar uma reunião com o Facebook nesse sentido. Depois da transmissão em direto, o vídeo ficou disponível e foi partilhado noutras plataformas como o Twitter e o YouTube. O Facebook entretanto anunciou que, em apenas 24 horas, removeu mais de 1,5 milhões de vídeos com a gravação do ataque e 1,2 outros foram bloqueados durante o download.

Também como resultado desta transmissão várias empresas do país estão a ponderar cortar os seus anúncios nas redes sociais. A empresa de loteria estatal, Lotto NZ, foi a primeira concretizá-lo e um dos maiores bancos nacionais, o ASB, anunciou publicamente que estava a debater fazê-lo. Várias outras empresas fizeram anúncios semelhantes depois da Associação dos Publicitários da Nova Zelândia e do Conselho das Comunicações Comerciais, em comunicado conjunto, terem instado oa anunciantes a equacionar a retirada, caso não sejam tomadas medidas para moderar o discurso de ódio nestas redes. Estas entidades perguntam-se: “os eventos de Christchurch levantam a questão, se os donos do site conseguem dirigir publicidade para os consumidores em micro-segundos, porque não pode a mesma tecnologia ser aplicada para prevenir que este tipo de conteúdo seja transmitido ao vivo?”

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