Legislativas 2025

No domingo, o Bloco vai “juntar contra quem quer dividir” e assim “mudar o país”

16 de maio 2025 - 22:24

No encerramento da campanha, Mariana Mortágua defendeu que os deputados que o Bloco eleger "não vão recuar um passo" e apelou ao voto para tirar deputados à direita. "É esta a energia que vai mudar a vida do país”, disse.

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Mariana Mortágua
Fotografia de Gabriela Carvalho.

Com os incontornáveis jogos do Hélder, paelha caseira e cachupa, quem esteve presente para ouvir Mariana e Joana Mortágua falar não teve um segundo de aborrecimento (ver fotogaleria). Na avenida Luísa Todi, em Setúbal, a festa-comício de encerramento da campanha do Bloco de Esquerda foi um momento de alegria, combate e solidariedade que juntou muitas centenas para mostrar que há uma vontade de mudar de vida em Portugal. E fizeram-no também dançando ao som de Farra Fanfarra e Más Influências ou cantando as músicas das Quimeras d'Mel.

O comício iniciou com Mariana Mortágua a agradecer aos militantes por uma campanha que “foi uma festa” mas também “uma luta”. “Começámos a campanha com a certeza de que o mundo mudou, a política mudou e a esquerda tem de mudar a sua forma de fazer campanha”.

A coordenadora do Bloco de Esquerda voltou a falar no plano da direita para dividir e “pôr uns contra os outros”, dizendo que “nós queremos juntar”. A campanha do partido foi marcada “pela vida das pessoas e de quem trabalha”, e “não há ninguém no país que não saiba as propostas do Bloco de Esquerda”.

“Sabemos que no domingo, todos os votos contam – voto a voto”, disse Mariana Mortágua. “E por isso a toda a gente quero dizer que em todos os distritos os votos decidem se temos um deputado do Bloco de Esquerda ou do Chega e da Iniciativa Liberal”.

Desde quem não consegue pagar a renda a quem não consegue pensar o futuro, o Bloco de Esquerda quer dizer às pessoas “que não precisam de ter medo”. “Em cada distrito escolhemos a Joana Mortágua, o Luís Fazenda, a Marisa Matias, o Francisco Louçã, o José Gusmão, ou um deputado da direita”, defendeu a coordenadora do Bloco de Esquerda.

Dirigindo-se a quem ainda está indeciso, Mariana Mortágua apelou ao voto no Bloco de Esquerda porque os seus deputados “não vão recuar um passo” e “não vão baixar a cabeça”. São os deputados que defendem a liberdade de quem vive em Portugal, tempo para viver e um salário que pague a renda.

“Os votos no Bloco de Esquerda servem para dizer a quem lucra com a vida de tanta gente que vão contribuir para os direitos de todos”, defendeu. “Cada vez que se empobrece, há empresas a apresentar milhares de milhões em lucros, e é o Bloco de Esquerda que tem a força para fazer justiça”.

Voltando ao ataque à direita, a coordenadora do Bloco de Esquerda diz que o ódio “é uma forma de controlo social” e de “nos manter caladas”. Por isso, a estratégia do Bloco de Esquerda é “juntar todos”, desde quem fez o 25 de Abril a quem o vive agora. “Todas queremos a mesma coisa, um teto e um chão. Todas queremos ser felizes”, disse.

Além de querer "mudar a vida" de quem vive em Portugal, o partido quis também usar a campanha para mostrar a vida das pessoas como ela é. “Como é que mostramos isto?”, perguntou Mariana Mortágua. “Levantamo-nos às 4h da manhã para ir ter com as trabalhadoras que fazem o serviço doméstico, fomos ao bairro do Zambujal, estivemos na Sumol+Compal com os trabalhadores por turnos, com vidreiros, enfermeiros e toda a gente que trabalha”.

Nessas histórias “estamos todos e todas”, porque é dessa totalidade que a esquerda se faz. “E por isso também dizemos: aqui somos Palestina”, defendeu, sendo interrompida por gritos. O Bloco “faz as lutas todas” em nome “de um futuro melhor” e “não desiste de nada”.

Dirigindo-se às centenas de militantes na festa-comício, Mariana Mortágua agradeceu aos militantes que por todo o país fizeram campanha porta a porta e batendo a milhares de portas e concluiu dizendo que “é esta a energia que vai mudar a vida do país”.

"Estamos aqui por amor à vida"

Joana Mortágua entrou no palco para dizer que “a democracia é uma festa”. Falando ao povo de Setúbal, a deputada bloquista disse que são os moradores do distrito que “têm a minha eleição nas suas mãos”, e garantiu que o partido lutará pelos interesses da região.

“O Bloco de Esquerda vai fazer uma campanha para impedir a privatização do litoral alentejano”, disse, apontando aos projetos de turismo de luxo que colonizam a costa do distrito de Setúbal. A dirigente do Bloco de Esquerda assumiu também um compromisso para garantir que quem vive e trabalha em Setúbal consegue pagar uma casa e ter tempo para viver porque “este distrito é construído por quem trabalha por turnos”.

Dirigindo-se ao eleitorado de esquerda, Joana Mortágua disse que “o PS não merece os votos de esquerda que está a pedir” porque “fez uma campanha ao centro”, mas agora apela a quem é de esquerda “com base no medo”. “O voto útil é uma armadilha que destrói a esquerda”, disse.

Aos militantes e apoiantes do Bloco de Esquerda lembrou Pepe Mujica, o ex-presidente do Uruguai que faleceu esta semana, para dizer que a militância “se confunde com o amor à vida”. “Não estamos aqui apenas para lutar por lugares, estamos aqui por amor à vida”, disse. “E a nossa luta é por liberdade”.

Também Fabian Figueiredo subiu ao palco e afirmou que, depois de domingo, “a extrema-direita terá de reprogramar o seu discurso”. “Cada mandato que vamos eleger no domingo é um deputado para garantir o direito à habitação e para parar a especulação”, disse.

Falando de justiça fiscal e das leis do trabalho, o deputado do Bloco de Esquerda disse que é este o partido que combate os partidos da especulação que vão “desde o Partido Socialista ao Chega”. No ano passado, o Bloco de Esquerda fechou a campanha dizendo que tinham morrida 30.000 em Gaza. “Este ano já morreram 50.000”, denunciou o líder da bancada parlamentar do Bloco. “Nós nunca nos calaremos. Vocês conhecem-nos a nós e à nossa força”.

“E é por isso que vamos eleger mandatos para fazer aquilo que nunca foi feito. E isso significa que o trabalho dá para a vida e o salário dá para a casa”, disse. “Estamos para mudar, para transformar, para dar o mais firme combate à direita e às suas ideias”. Deixando uma última mensagem, o dirigente bloquista disse que apesar de vivermos num tempo em que “os monstros se evidenciam”, este país “não voltará para trás”.