Nazaré: Crise da habitação "está a desagregar a nossa comunidade

29 de setembro 2023 - 19:22

Alexandre Isaac explicou que este sábado a Nazaré junta-se a várias outras localidades do país para dar visibilidade à luta pelo direito à Habitação e para trilhar caminhos que permitam superar uma “crise que se sente muito no presente, mas ameaça a estabilidade do futuro”.

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Alexandre Isaac
Alexandre Isaac.

“Estaremos na Praça Sousa Oliveira para ouvir os que estão a ficar sem lugar no concelho da Nazaré e nos concelhos vizinhos e que querem ter uma voz”, frisou o ativista.

Conforme explicou, o objetivo da iniciativa passa por “reunir pessoas que enfrentam dificuldades no acesso à habitação”.

“Contamos com todos que queiram partilhar os seus problemas, e tentarmos juntos encontrar soluções, trazendo este problema que acaba por ser comum a quase todas as pessoas, de forma direta ou indireta, para o espaço público, dando-lhe visibilidade a uma luta por um dos direitos mais elementares de uma sociedade democrática”, assinalou.

Alexandre Isaac enfatizou que, na Nazaré, tal como noutros pontos do país, a crise da Habitação “afeta quase toda a gente”, indo para “além de uma idade específica”, até porque, “se alguém com trinta anos não consegue a sua independência, acaba por ir ficando em casa dos pais e a questão torna-se familiar e afeta pessoas de todas as idades”.

O ativista acrescentou que, na realidade, “todos conhecemos as histórias de pessoas que nos são próximas e percebemos que a crise na habitação está a afetar grande parte da população e a desagregar a nossa comunidade.

Sobre as medidas necessárias para inverter a situação, Alexandre Isaac destacou que “não existem soluções ‘milagrosas’ que resolvam o problema em ‘15’ dias”. Ainda assim, apontou “algumas linhas”, começando por sublinhar que “o concelho da Nazaré tem características muito próprias, que não admitem as ‘soluções’ que tantas vezes vemos anunciadas”.

“Há questões óbvias, o parque habitacional público do Concelho de Nazaré não chega aos 0,70% do total das habitações, números muito inferiores aos nacionais (2% de parque habitacional público) e à média europeia que se encontra acima dos 10%”, detalhou.

Acresce que “os valores da habitação (no arrendamento e na aquisição) são muito altos comparando com rendimento médio dos habitantes do concelho, os juros dos empréstimos para compra de casa continuam a subir desenfreadamente”.

Além disso, continuou, “há ainda uma questão fundamental noutros locais, que se põe de uma maneira muito específica na Nazaré, que tem que ver com o Alojamento Local”.

Alexandre Isaac referiu que “não há alojamento mais local do que os ‘Chambres’”, e que, “ainda nos anos 90 do século passado, a Nazaré criou um licenciamento próprio desses alojamentos sazonais a turistas”.

Defendendo que o Alojamento Local “só é um problema quando é feito de forma ilegítima, ilegal ou descontrolada”, o ativista realçou que “o que verificamos neste momento, com preocupação, é que esta realidade está a deixar de ser uma estratégia local e sustentável, pois uma grande maioria de novos alojamentos não pertence sequer a residentes”.

“Já chega de esperar pelo Governo”

Na convocatória da concentração deste sábado, o movimento Casa para Viver – Nazaré vinca que “Já chega de esperar pelo Governo, que anda entretido a anunciar pacotes de medidas sem fazer nada, empurrando com a barriga uma realidade que se agrava de dia para dia”.

“De promessa em promessa, não resolve a crise da habitação, porque não quer mexer com os interesses do sector financeiro, das grandes empresas de construção civil e do sector imobiliário, que são quem enriquece brutalmente enquanto os outros vivem sempre em crise”, lê-se no documento.

O Casa para Viver – Nazaré alerta que, “se não pararmos juntos e agora esta máquina, que viola os nossos direitos mais básicos, que está a destruir a coesão territorial e social, as consequências serão sentidas na Nazaré de hoje e de amanhã”.