Está aqui

“Não podemos atrasar investimentos fundamentais na Saúde Pública e no SNS”

Catarina Martins voltou a reunir com o epidemiologista Henrique Barros e lamentou que os apelos feitos em julho para a generalização dos rastreios não tenham sido concretizados pelo Governo. Deste encontro surgiu um novo apelo ao reforço de profissionais da Autoridade de Saúde Pública para garantir os inquéritos epidemiológicos.
Catarina Martins e Moisés Ferreira reuniram com Henrique Barros, especialista em saúde pública e epidemiologista do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto. Foto Esquerda.net

A coordenadora bloquista considera que o facto de a Autoridade de Saúde Pública não estar a ser capaz de fazer inquéritos epidemiológicos é um “enorme problema”.

“Se é muito importante mais testes, é essencial que haja mais gente na saúde pública para fazer estes inquéritos”, afirmou Catarina Martins no final de uma reunião com Henrique Barros, especialista em saúde pública e epidemiologista do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto.

A dirigente do Bloco defende que é preciso um “investimento muito forte nesta área”.

“É com algum desalento que vemos a situação atual. Há quase sete meses, quando aqui estive, a reivindicação clara era para que se pudessem generalizar os rastreios”, lembrou Catarina Martins.

Em setembro, aquando da abertura dos centros de saúde, o Bloco voltou a reivindicar que é preciso generalizar os testes. O partido viu ainda aprovada no Parlamento uma proposta nesse sentido, nomeadamente no que respeita às escolas. “Nunca foi feito”, lamentou a coordenadora bloquista.

Catarina Martins recordou também que o Governo não executou a totalidade do Orçamento de 2020, designadamente no que concerne às despesas correntes, nas quais se inclui a realização de rastreios.

Assumindo que esta situação seria sempre muito complicada, e que não há receitas milagrosas, a dirigente do Bloco de Esquerda avançou que “é possível fazer melhor”. E, para tal, não podemos atrasar “os investimentos fundamentais na Saúde Pública e no SNS” para podermos controlar a evolução da pandemia e nos podermos proteger.

Catarina Martins fez ainda referência à vacinação, que tem tido um “ritmo mais lento do que inicialmente foi anunciado”. Sobre essa questão, apontou os “problemas a nível europeu”, com as farmacêuticas “a fazerem muita chantagem sobre os Estados”.

“A esse nível, Portugal também precisa de ter outra posição”, frisou Catarina Martins, lembrando que temos a presidência da União Europeia (UE). “E era o momento da UE utilizar os mecanismos que tem, legislativos, nomeadamente utilizando a licença compulsória, para ultrapassar as patentes e generalizar a produção da vacina”, acrescentou.

Realçando que as medidas de confinamento são necessárias, a coordenadora bloquista lembrou que o Bloco “tem defendido a criação de uma entidade independente técnica que possa de alguma forma juntar todos os dados e ajudar na comunicação de risco à população”. “Se as pessoas não percebem o risco que correm e como o correm, é muito difícil travar a pandemia”, alertou.

Catarina Martins assinalou ainda que “é preciso conhecer a realidade de cada região e poder reforçar os vários níveis de cuidados”.

Termos relacionados #SomosTodosSNS, Política
(...)