Irene Zoe Alameda garante, em comunicado, que é a responsável pela criação do pseudónimo Amy Martin e que foi contratada diretamente pelo Departamento de Comunicação da Fundação Ideas, sem o conhecimento do seu marido, Carlos Mulas-Granados, então diretor geral da Fundação.
A escritora e cineasta, que dirige o Instituto Cervantes em Estocolmo, ganhou um total de 50.000 euros pelos artigos publicados pela Fundação Ideas, criada pelo PSOE e cuja atividade depende, segundo avança o El Mundo, essencialmente de subvenções públicas.
No comunicado, Irene Zoe Alameda frisa que Carlos Mulas-Granados, “não teve conhecimento de que Amy Martin era um pseudónimo, e não uma pessoa real, até 23 de janeiro”, e afirma que não vê qualquer irregularidade na sua situação e que “o uso de um pseudónimo não é nada de mal, sendo até bastante normal”.
Antes de ser emitido o esclarecimento de Irene Zoe Alameda, e quando confrontado pelo jornal El Mundo, Carlos Mulas-Granados afirmou estar convencido de que Amy Martin era uma analista política e que apenas a tinha visto uma vez.
Ao noticiar o caso da colunista fantasma, o El Mundo apontou a sua polivalência, lembrando que a mesma assinou artigos que se debruçavam sobre temas tão variados como a crise nuclear de Fukushima, a medição da felicidade ou a crise na zona euro, e sublinhou que alguns dos trabalhos de Amy Martin coincidem com outros publicados pelo próprio Mulas.
O diário espanhol refere, como exemplo, um artigo de Amy Martin sobre agências de rating que a Fundação não chegou a publicar e que rendeu à autora, em setembro de 2012, um valor total de 742,88 euros (mais IVA). Semanas antes, a 6 de agosto de 2011, Carlos Mulas-Granados publicou, no diário 'Público', um artigo titulado 'A voltas com as agências de rating'.
A 3 de março de 2012, a agência literária Casanovas & Lynch pagou a Amy Martin 1.401 euros pelo trabalho de "assessoria no artigo sobre os sindicatos e a social democracia no século XXI", que é justamente o artigo escrito no mês anterior por Mulas-Granados.
Jesús Caldera, vice-presidente executivo da Fundação Ideas, anunciou esta quarta feira em comunicado ir fazer "uma investigação exaustiva sobre a gestão do sr. Mulas, sem prejuízo de ter já exigido a devolução de todas as quantias faturadas em 2010 e 2011 em nome de Amy Martin". A Fundação não descarta ainda recorrer a ações judiciais contra Mulas, que sempre negou qualquer relação com a colunista-fantasma.
O esquerda.net já tinha feito notícia sobre as contradições deste economista, que fez campanha contra a austeridade em 2012 e no ano seguinte surge como coautor do relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) que, assentando a sua análise em pressupostos manifestamente falaciosos, propõe reduzir a despesa pública portuguesa mediante um esvaziamento ainda mais drástico das funções sociais do Estado, Mulas-Granados teve um papel de destaque no PSOE desde 2004, no grupo de economistas que redigiram o programa económico e o programa eleitoral de Zapatero às eleições espanholas. No primeiro mandato como primeiro-ministro, Zapatero nomeou Mulas-Granados para subdiretor do seu Gabinete Económico.