Na campanha eleitoral, o Chega colocou cartazes a prometer “acabar com a corrupção e os tachos em Portugal”. Mas bastaram poucas semanas após eleger vereadores em Lisboa para o partido da extrema-direita ver uma das suas apoiantes mais destacadas nas redes sociais a receber uma nomeação para vogal da administração dos Serviços Sociais da autarquia. A nomeação foi feita por Carlos Moedas e divulgada pelo Correio da Manhã.
O autarca disse ao Correio da Manhã que “eventuais questões partidárias ou políticas não têm qualquer relevância” na nomeação de Mafalda Guerra e que “o único critério utilizado nas escolhas realizadas é o da competência”. A “influencer” do Chega é formada em Criminologia e Investigação Criminal, não sendo claro como as suas competências serão aplicadas ao cargo para que foi agora nomeada na administração dos Serviços Sociais da autarquia.
Já o vereador do Chega, Bruno Mascarenhas, disse ao jornal que a nomeação da sua apoiante e candidata suplente nas listas autárquicas do partido na freguesia de Alcântara é a prova de que “já não há ‘linhas vermelhas’ às pessoas do Chega, desde que as mesmas tenham qualidades”.
Os votos dos vereadores do Chega têm sido decisivos para garantir a Carlos Moedas a maioria de que necessita no executivo municipal. Foi o que aconteceu nas primeiras votações importantes, como o regimento que restringiu a capacidade de iniciativa aos vereadores da oposição ou no novo regulamento do Alojamento Local, que duplicou os rácios previstos na proposta apresentada antes das eleições e que assim irá permitir novas licenças em muitos bairros.