Violência policial

SOS Racismo denuncia novo caso de violência policial no aeroporto de Lisboa

31 de janeiro 2026 - 21:29

Jovem são-tomense de 23 anos teve de ser assistido na urgência do Hospital de São José, de onde foi retirado pelos agentes sem fazer um exame requerido pelos médicos. SOS exige abertura de inquérito e preservação dos registos de videovigilância.

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Marcas das agressões
A SIC mostrou algumas das marcas das agressões a Samuel Edi.

A associação SOS Racismo denunciou um novo caso de violência policial no aeroporto de Lisboa, ocorrido na madrugada de quinta-feira. Samuel Edi, cidadão são-tomense com 23 anos, chegava a Portugal com visto consular de curta duração, válido até meados de março e bilhete de regresso marcado para 15 de fevereiro. O objetivo da viagem era uma consulta hospitalar marcada para sexta-feira. Acabou espancado pelos agentes policiais no aeroporto e por ser alvo de gás pimenta nos olhos.

Apesar de ter apresentado o relatório médico que justificava a vinda a Lisboa, Samuel foi confrontado com “inúmeros obstáculos e mudança de procedimentos por parte da polícia”, o que obrigou os familiares em Portugal a recorrer a um advogado para evitar que fosse enviado de volta a São Tomé e Príncipe. 

Segundo a SIC, foi-lhe exigido um termo de responsabilidade obrigatório e o comprovativo da marcação da consulta, documentos apresentados em seguida pelos familiares, que nessa altura foram aconselhados a contratar um advogado. O advogado contactou Samuel nessa mesma noite e disse-lhe que iria tratar do assunto no dia seguinte. Mas horas depois os agentes entraram na sala e informaram-no que ia entrar num avião com destino a São Tomé e Príncipe.

“Alegadamente terá sido a recusa, por parte de Samuel, em entrar para um avião de regresso a São Tomé, antes que os documentos apresentados fossem devidamente analisados, e que houvesse resposta às diligências efetuadas pelo seu advogado, que terá despoletado as agressões atrozes de que foi alvo”, relata a SOS Racismo.

Samuel teve de ser assistido de urgência no Hospital de São José, onde relatou as agressões de que foi alvo por parte dos agentes. Os médicos prescreveram uma ecografia, mas os agentes insistiram em levá-lo de volta para o aeroporto, alegando que tinha ordem de deportação e que o exame seria feito no país de origem. A SIC confirmou que tanto as agressões como a recusa em deixá-lo fazer a ecografia constam dos registos hospitalares.

No regresso ao aeroporto, Samuel enviou uma mensagem à sua familiar que o aguardava, dizendo que sentia dores de cabeça, não conseguia ver bem e precisava de assistência hospitalar. “Eu não quero morrer aqui, tia, eu quero ir para o hospital", escreveu na mensagem divulgada pela SIC.

“Mais uma vez, assistimos à absoluta desumanização e abuso por parte das autoridades a prestar serviço no aeroporto de Lisboa”, afirma a SOS Racismo, lembrando “a morte de Ilhor Homeniuk, cidadão ucraniano, assassinado no mesmo local onde Samuel foi espancado”.

A associação exige à ministra da Administração Interna a abertura imediata de um inquérito e a preservação dos registos do sistema de videovigilância de todas as áreas onde Samuel se encontrou no interior do aeroporto.

“A recuperação total do estado de saúde de Samuel Edi é uma responsabilidade de Portugal”, sublinha a associação, defendendo que o jovem são-tomense “deve receber apoio psicológico e ser novamente observado no hospital”.