O coordenador do Bloco de Esquerda falou aos jornalistas após uma reunião com o Sindicato das Industrias, Energias, Serviços e Águas de Portugal sobre os efeitos da depressão Katrin que deixou um rasto de destruição, sobretudo nos distritos de Leiria, Coimbra e na Região Oeste.
José Manuel Pureza voltou a expressar a “total solidariedade” do Bloco com as famílias das vítimas e “com quem dá o melhor que pode para minorar os efeitos” desta catástrofe.
Quanto à resposta do Governo, afirma que “é particularmente ausente e nada à altura das exigências”. “As pessoas sentem-se abandonadas por terem ficado isoladas, sem água e eletricidade dias a fio, mas sentem também que o Governo não está próximo delas a tentar resolver questões essenciais”, afirmou o coordenador do Bloco, acusando o executivo de trazer “palavras ocas” e “manifestações mediáticas como a do ministro Leitão Amaro” no vídeo filmado no gabinete para as redes sociais e depois apagado pelo próprio ministro.
Depressão Kristin
Bloco diz que “não é aceitável que em 2026 concelhos inteiros fiquem incomunicáveis”
E o Governo tem responsabilidades, prosseguiu Pureza, “por depois do apagão e dos incêndios florestais, não ter aprendido que é necessário investir na criação de condições para dar resistência e capacidade” às redes de comunicações e infraestruturas básicas.
“Continuamos a ter lares e instituições públicas que não têm um gerador”, criticou o coordenador bloquista, lembrando que “é na bonança que se preparam as tempestades”.
“Se não é em altura de bonança que se preparam as coisas, não vai ser no meio de uma situação de crise que isso vai acontecer, o que vai acontecer é andarmos a pedir geradores uns aos outros”, afirmou Pureza.
Outra lição desta catástrofe é que “a privatização de aspetos essenciais da vida das pessoas, na energia, água e telecomunicações, tem depois este rosto de enorme fragilidade”, acrescentou. E no que respeita à rede de comunicações de emergência, também entende que “não se aprendeu nada do ponto de vista do desempenho do operador privado, de assegurar um recurso crítico absolutamente vital que permita aos autarcas responderem” aos pedidos de socorro das populações
“Tudo isto mostra como é tão necessário investir no território e nas comunidades, na prestação de serviços essenciais à vida das pessoas”, concluiu o coordenador bloquista, que na viagem de Coimbra para Lisboa viu “milhares e milhares de árvores arrancadas, centenas de casas profundamente danificadas e pequenas unidades industriais com as coberturas arrancadas”.
Por fim, José Manuel Pureza quis destacar a ironia de “no dia em que o país está a despertar para o horror que é esta calamidade haver uma força política”, a Iniciativa Liberal, a defender no Parlamento a revogação de medidas da Lei de Bases do Clima que visam dar resposta à situação de emergência climática que se traduz nestes fenómenos meteorológicos extremos. Para o coordenador do Bloco, os liberais fizeram uma “exibição de uma tremenda irresponsabilidade”.