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Ministro francês da Transição Ecológica bate com a porta

Nicolas Hulot queixa-se de se “sentir completamente só” e de só ter conseguido “dar pequenos passos”. Melénchon avisa que “Macronia” está a “entrar em decomposição”.
Fotografia: Nicolas Hulot e Emmanuel Macron.

Foi ao microfone da estação de rádio “France Inter” que, esta terça-feira, Nicolas Hulot anunciou a sua renúncia ao cargo de ministro da Transição Ecológica.

O governante demissionário disse sentir-se “completamente só”, tendo apenas conseguido “dar pequenos passos”.

O ministro avançou ainda que não avisou o presidente francês, Emmanuel Macron, nem o primeiro-ministro, Edouard Philippe da sua decisão de abandonar o cargo. Segundo Hulot, os chefes do executivo souberam da decisão ao mesmo tempo que os restantes ouvintes da “France Inter” e que saía para não alimentar a "ilusão de que algo estava a mudar" e que "não conseguia continuar a mentir a si próprio". 

Segundo o The Guardian, Hulot anuncia a sua saída após o governo liderado por Macron ter anunciado que iria liberalizar a lei da caça, permitindo que mais espécies possam ser abatidas e que o preço das licenças seja reduzido, o que tem sido entendido pelos ambientalistas franceses como uma clara cedência ao “poderoso lóbi da caça”.

O jornal britânico recorda ainda que várias divergências de Hulot com o resto do governo francês ficaram expostas nos últimos meses. O conhecido ativista ambiental ficou desapontado quando o governo decidiu recuar na meta de redução da dependência da energia nuclear ou quando perdeu a batalha da proibição do herbicida glifosato para o ministro da Agricultura, que preferiu negociar diretamente com os agricultores e com a indústria.

O líder da França Insubmissa, Jean-Luc Mélenchon, reagiu à demissão na sua conta na rede social Twitter, dizendo que esta representa “um voto de condenação contra Macron” e que confirma o que tem vindo a dizer sobre a “Macronia estar a entrar em decomposição”.

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