Ministra descarta responsabilidades pelo aumento da mortalidade infantil

12 de maio 2025 - 15:44

Em 2024, a mortalidade infantil disparou 20% em Portugal. Ana Paula Martins diz que isso se deve mais à falta de investimento dos anteriores governos do que ao encerramento das urgências de ginecologia e obstetrícia, apesar de o maior aumento se registar na região onde mais urgências fecharam.

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Ana Paula Martins
Ana Paula Martins. Foto de Rodrigo Antunes/Lusa

A taxa de mortalidade infantil em Portugal em 2024 foi de 3,0 por cada mil nascimentos, segundo os dados do Instituto Nacional de Estatísticas publicados pelo Correio da Manhã. Trata-se de um aumento de 20% face ao ano anterior e a taxa mais alta desde 2019.

A região de Setúbal foi a que registou valores mais altos de mortalidade infantil, de 3,9 por cada mil nascimentos, o que a coloca acima da média europeia. E foi precisamente essa região que sofreu mais encerramentos e constrangimentos nos serviços de Ginecologia e Obstetrícia nos hospitais públicos.

Mas a ministra da Saúde, que foi confrontada pelos jornalistas com estes esta segunda-feira em Vila Real, atirou a responsabilidade para os anteriores governos. “Ninguém pode dizer hoje que não está relacionado, mais do que com as urgências [encerradas], com a diminuição, nos últimos anos, daquilo que tem sido o investimento que precisamos de fazer, concretamente, no sistema público, na área materno-infantil”, afirmou Ana Paula Martins, citada pela agência Lusa.

“Obviamente que ter urgências que estão fechadas ou que são intermitentes não é uma boa resposta, ter urgências de pediatria que estão mais fragilizadas também não é uma boa resposta”, admitiu a ministra, rejeitando responsabilidades políticas pelos 252 óbitos de crianças com menos de um ano em 2024, mais 43 do que em 2023.

A ministra aproveitou para voltar a elogiar a linha telefónica SNS Grávida criada para afastar as grávidas das urgências, que “já orientou mais de 35 mil casos para os cuidados de saúde primários”. Sobre as mortes das crianças, remeteu para a avaliação “caso a caso” da comissão pedida pela Direção-Geral de Saúde “para confirmar as explicações, a nível nacional, uma vez que temos algumas explicações plausíveis”. Entre elas estão a maior complexidade das grávidas com comorbilidades e doenças crónicas.

“Aguardamos que este grupo de peritos possa dar-nos indicações precisas se estes números exigem, seguramente exigirão, medidas adicionais àquelas que já estamos a tomar”, afirmou a ministra.