Uma análise publicada pela Comissão Europeia e noticiada esta terça-feira pelo Jornal de Negócios dá conta do aumento da concentração da riqueza nas últimas décadas, um aumento mais pronunciado em Portugal do que na maioria dos restantes países da União Europeia.
Em Portugal, 10% das famílias com maiores rendimentos concentram 60,2% da riqueza do país, um aumento de três pontos percentuais desde 1995. Grécia, Polónia, Letónia, Estónia, Hungria, Irlanda e Suécia são os restantes países onde essa concentração está acima de 60%.
Desigualdade
Multimilionários têm mais do triplo da riqueza que metade da humanidade junta
O caso sueco destaca-se pelo forte aumento desta concentração em mais de sete pontos percentuais desde 2007, o ano em que foi abolido o imposto sobre a riqueza. Três anos antes, Portugal aboliu o imposto sobre as heranças, no âmbito de “uma tendência mais ampla de redução da carga fiscal sobre os rendimentos mais elevados e o capital”, diz o relatório, embora 17 países da UE ainda hoje mantenham este imposto.
Em Portugal, o relatório da Comissão Europeia destaca pela positiva o imposto o adicional ao IMI aplicado a imobiliário de luxo e grandes proprietários, que ficou conhecido como o “imposto Mortágua”. Por outro lado, critica as exceções na tributação de mais-valias e a taxa fixa nesta tributação que permite aos ultrarricos baixarem a fatura fiscal.