Jean-Luc Mélenchon anunciou este domingo que será candidato às eleições presidenciais do próximo ano em França. O seu nome foi escolhido pela França Insubmissa e é sem surpresa que avança para a quarta candidatura presidencial, depois de ter ficado a menos de um ponto percentual das segunda volta em 2022.
Em entrevista à TF1, Mélenchon justificou a decisão de avançar pelo “contexto e a urgência” que a França e o mundo vivem, mesmo que há quatro anos tivesse afastado a hipótese de voltar a concorrer. No seu partido, afirmou, a questão foi a de saber “quem é o melhor preparado para fazer face à situação” atual, quando “estamos sob ameaça de uma guerra generalizada, uma alteração espetacular do clima e uma crise económica e social”.
Uma das diferenças face a 2022, sublinhou, é que agora “temos uma equipa numerosa”, com caras populares e que farão parte do futuro governo em caso de vitória. Uma situação que diz contrastar com a dos restantes partidos da esquerda, onde se assiste a “divisões internas,, uma multidão de candidatos, uma confusão”.
Sobre “o contexto e a urgência” que ditaram a sua candidatura, Mélenchon dirige-se às pessoas que estão a ver “roubado parte do seu salário”, que vai parar aos bolsos da Total, a petrolífera que tem apresentado lucros históricos. E propõe um teto aos preços dos combustíveis para fazer face ao aumento dos preços
No que diz respeito à guerra no Irão, insiste que ela não teria acontecido sob a sua presidência e promete “fazer do direito internacional a minha bandeira”. Se estivesse no Eliseu, em vez de “aceitar ser maltratado” por Donald Trump, como afirma que aconteceu com Emmanuel Macron, Mélenchon faria “uma frente com os espanhóis”, pois acredita que “juntos somos capazes de juntar uma boa parte dos países da América do Sul e da Europa”, além de proibir os voos militares dos EUA sobre o espaço aéreo francês.
E também teria agido junto da União Europeia para “cortar as relações comerciais com Israel” e assim parar o genocídio de Netanyahu em Gaza, pois do ponto de vista económico “eles não conseguem viver sem a UE”.
A entrevista serviu também para responder às acusações de “comunitarismo”, por usar expressões nas campanhas eleitorais como a “Nova França” e enaltecer as candidaturas “racializadas” que a França Insubmissa apresentou com sucesso em vários círculos eleitorais. “A palavra ‘racializada’ foi criada por sociólogos” e é empregue nas ciências sociais, lembrou Mélenchon, explicando que a “Nova França” a que se refere reflete a mudança na sociedade francesa, que não tem comparação com a que existia em 1958, no nascimento da V República.
Hoje em dia “um francês em cada três tem ascendência estrangeira, uma família em cada duas saiu da sua região de origem, as mulheres têm um estatuto completamente diferente, isto é a nova França”, prosseguiu Mélenchon, acrescentando que a VI República que propõe “é o projeto da Nova França, que detesta a discriminação e o privilégio”.
O candidato presidencial disse ainda que a extrema-direita é o seu principal adversário nesta eleição, mas tem dúvidas de que ela consiga chegar à segunda volta. E acredita que estarão em confronto “duas visões da vida: ‘todos juntos’ ou ‘cada um por si’. Nos somos o ’todos juntos’”, concluiu.