Honduras

“Hondurasgate”: o plano de Trump e Netanyahu para o regresso do presidente condenado por narcotráfico

04 de maio 2026 - 12:33

Divulgação de ficheiros áudio de conversas gravadas este ano entre altos responsáveis políticos hondurenhos mostram que Juan Orlando Hernández é o homem escolhido para tornar as Honduras num enclave geopolítico dos EUA e Israel na região.

PARTILHAR
Trump, Hernández e Netanyahu
Trump, Hernández e Netanyahu. Imagem Diario Red.

Uma investigação do Diário Red e do portal Hondurasgate dá a conhecer “uma operação de ingerência política e corrupção de proporções históricas” com o objetivo de fazer regressar Juan Orlando Hernández à Presidência das Honduras com apoio de Trump e financiamento israelita. Em troca, o ex-presidente condenado pela justiça dos EUA a décadas de prisão por narcotráfico e recentemente indultado por Donald Trump cederia aos EUA e Israel o controlo das zonas especiais de desenvolvimento económico, instalaria uma base militar dos EUA e aprovaria um enquadramento legal favorável às empresas de Inteligência Artificial estadunidenses e israelitas.

Honduras

Como o candidato de Trump se proclamou Presidente das Honduras

por

Gabriel Vera Lopes

27 de dezembro 2025

Entre os protagonistas das mensagens de voz gravadas este ano no WhatsApp, Telegram e Signal, além do ex-presidente Hernández, estão o atual presidente e vice-presidente, Nasry Asfura e Maria Antonieta Mejía. O plano passa por recolocar Hernández na Presidência nas próximas eleições, com o ex-presidente a preparar o regresso físico ás Honduras assim que sejam anulados todos os processos contra si e a negociar já uma transição de poder com Asfura.

Eleito em novembro passado por entre muitas queixas de irregularidades por parte da oposição, Asfura contou com o apoio explícito de Trump, que ameaçou cortar a ajuda ao país se não fosse eleito. Horas antes das eleições, Trump anunciou o indulto ao ex-presidente condenado em 2024 a 45 anos de prisão por tráfico de cocaína para os EUA e por receber dinheiro do cartel de “El Chapo” para financiar fraudes eleitorais. Os promotores novaiorquinos descreveram as Honduras sob a presidência de Hernández como um “narcoestado”.

Nos áudios publicados das mensagens de Hernandez, prossegue o Diario Red, fica claro que o processo do indulto foi financiado por um lóbi liderado pelo veterano operacional de “campanhas sujas” dos Republicanos Roger Stone, com o apoio do primeiro-ministro israelita Netanyahu.

As mensagens não deixam dúvidas de que Trump e Netanyahu querem ser compensados pela ingerência. Logo após tomar posse, Asfura foi a Mar-a-Lago reunir com Trump e um dos assuntos foi a expansão das “Zonas da Emprego e Desenvolvimento Económico” (ZEDES), também conhecidas por “estados privados” ou “cidades modelo”, onde são permitidos tribunais autónomos e sistemas jurídicos estrangeiros, no que é visto como uma entrega de soberania.

Hernández é ouvido a dar ordens diretas ao Presidente do Congresso para que acelere os julgamentos políticos dos que denunciaram as irregularidades eleitorais. Nos últimos meses já foram destituídos quatro membros do Tribunal de Justiça Eleitoral e o Procurador-Geral, com a Presidente do Supremo Tribunal a renunciar sob coação.

Numa segunda divulgação de áudios, é revelada a constituição de um grupo de comunicação financiado com dinheiros públicos hondurenhos e argentinos para atacar os governos do México e da Colômbia, adversários de Trump. Numa das conversas, o ex-presidente hondurenho pede ao atual  Presidente 150 mil dólares para pôr em marcha um portal de notícias a partir dos EUA para lançar notícias contra os governos de Sheinbaun e Petro, e sobretudo contra a família do ex-Presidente Manuel Zelaya, deposto por um golpe de estado em 2009, e da sua esposa Xiomara Castro de Zelaya, que foi Presidente entre 2022 e este ano.

Termos relacionados: InternacionalHonduras