Mais de 120 fogos florestais estavam ativos no último dia do ano na costa Leste da Austrália, tendo já devastado mais de 200 mil hectares no estado de Victoria. A época de incêndios florestais está a ser considerada a maior desde que há registos e já provocou a morte a pelo menos onze pessoas e a destruição de centenas de habitações.
Esta terça-feira correram mundo as imagens da cidade costeira de Mallacoota, cercada pelo fogo mas sem ordem de evacuação, quando os seus habitantes correram para as praias e os que puderam entraram nos barcos para se afastarem das chamas.
Mallacoota, Australia, where fires turned day to night — People woke up to thick smoke and pale, orange skies. But as the fires drew closer, the sky turned red and then pitch black. Thousands of people fled to the beach for safetyhttps://t.co/TFDbcDi48e pic.twitter.com/maywE1y7q4
— Alfons López Tena (@alfonslopeztena) December 31, 2019
Apesar dos fogos não andarem longe de Sydney e das temperaturas rondarem os 40ºC na cidade, atualmente em alerta máximo de risco de incêndio, as autoridades decidiram manter o tradicional fogo de artifício, um dos maiores do mundo, para marcar a entrada em 2020. A decisão contraria a vontade de uma petição que juntou 275 mil pessoas a apelar ao cancelamento do evento e que os milhões gastos no fogo de artifício fossem dirigidos para o combate aos fogos.
As autoridades proibiram o uso de fogos de artifício em toda a região, abrindo uma única exceção para o de Sydney, que todos os anos é visto na televisão por mais de mil milhões de pessoas em todo o mundo.
O fogo de artifício marcado para as 21h locais avançou mesmo, apesar de ter sido adiado 15 minutos devido aos fortes ventos.
#AUSTRALIA - New Year's Eve fireworks erupt over Sydney's iconic Harbour Bridge and Opera House (L) during the fireworks show on January 1, 2020.
@pparkspix #AFP pic.twitter.com/8NqAJqgYKF— AFP Photo (@AFPphoto) December 31, 2019
A resposta do governo aos incêndios também continua a ser alvo de críticas. Depois dos protestos contra as férias do primeiro-ministro em plena situação de emergência, que o obrigou a regressar do Havai, agora foi a vez do ministro dos serviços de emergência de Nova Gales do Sul se ausentar para férias no Reino Unido e em França enquanto o território arde e já há vítimas mortais a lamentar nos corpos de bombeiros.
“Porque é que temos sequer um ministro dos Serviços de Emergência se ele não vai cá estar quando há uma emergência?”, questionou um colega de governo do Partido Liberal sob anonimato em declarações ao Sydney Morning Herald.