Milhares de pessoas saem às ruas pelo direito à habitação

27 de janeiro 2024 - 17:57

Pela terceira vez em menos de um ano, o país voltou a mobilizar-se e a exigir que se assumam compromissos pelo direito à habitação. Mariana Mortágua defendeu “regras que protejam o direito à habitação, já que, até agora, o que foi protegido foi a especulação”, e lembrou as propostas do Bloco. Em atualização.

PARTILHAR
Foto Miguel A. Lopes, Lusa.

Em Lisboa, a manifestação teve início na Alameda, com os vários milhares de pessoas a dirigirem-se depois em direção ao Arco da Rua Augusta, onde, além de intervenções de membros da plataforma Casa para Viver, estavam previstos concertos de artistas como Catarina Branco, Jhon Douglas, Luca Argel e Luís Severo.

Durante o percurso, foram entoadas palavras de ordem como "Eu quero teto, quero chão, quero o direito à habitação”, “A cidade é para morar, não é só para trabalhar” ou “Eu não aguento mais viver em casa dos pais”.  Nos cartazes evocou-se a Lisboa que “já não menina e moça, só precária”, uma “Lisbolha especulativa".


Vê a fotogaleria da Manifestação Casa para Viver em Lisboa


Criar “regras que protejam o direito à habitação"

Em declarações aos jornalistas, Mariana Mortágua explicou que participa nesta iniciativa “para reivindicar o direito e também para apresentar soluções”.

A coordenadora do Bloco alertou para a urgência de criar “regras que protejam o direito à habitação, já que, até agora, o que foi protegido foi a especulação”. “Acontece que a especulação não é um direito, é um privilégio”, enfatizou Mariana Mortágua.

Assinalando que “é possível baixar o valor das rendas e combater a especulação imobiliária, a dirigente bloquista questionou “por que é que Portugal não adota medidas que estão a ser implementadas noutros países”.

Mariana Mortágua lembrou ainda que “as políticas do PSD foram feitas para subir o preço das casas” e que o PS recusou-se a mudar essas mesmas políticas, apesar de todas as propostas do Bloco nesse sentido, que foram sempre chumbadas.

Assumindo o compromisso do seu partido pelo direito à habitação, a líder do Bloco lembrou algumas das soluções já apresentadas no programa eleitoral, nomeadamente no que diz respeito ao controlo de rendas, como acontece em, pelo menos treze países da União Europeia, e a baixar os juros, com a Caixa Geral de Depósitos a utilizar a sua posição dominante no mercado do crédito à habitação para aplicar uma política de juros baixos, que leve a uma redução generalizada do custo dos empréstimos à habitação própria e permanente. Bem como pôr os bancos a financiar políticas públicas de habitação, garantir 25% da nova construção para habitação acessível, introduzir uma moratória a novos empreendimentos turísticos, proibir a venda de casas a não residentes ou limitar o alojamento local.

No Norte, milhares de pessoas percorreram a rua de Santa Catarina para mostrar que "o Porto está na luta" pela habitação. "Abril exige casa para viver", "estamos fartos de escolher pagar a renda ou comer" ou "Governo, escuta, o Porto está na luta" foram das palavras de ordem mais entoadas ao longo do percurso.

Em Braga, foram inúmeras as organizações e moradores que se juntaram ao protesto, por que "já é tempo de haver casa para habitar".

"Com esta inflação, nem pão, nem habitação" ou "Uma casa que possa pagar, isso é ser radical?" foram algumas das frases escitas nos cartazes empunhados na concentração de Aveiro, no Largo Manuel Fiirmino.

As iniciativas pelo direito à habitação multiplicaram-se ainda por cidades como Faro, Lagos, Leiria, Portimão, Sines, Setúbal, Coimbra, Funchal e Viseu.

Vê fotogaleria das Manifestações pelo Direito à Habitação em todo o país