De manhã, a manifestação foi no Porto da Praça do Marquês até à Praça D. João I. De tarde, em Lisboa, desde a praça do Marquês de Pombal até aos Restauradores. Milhares de pessoas manifestaram-se este sábado contra o pacote laboral do governo unidos pelo lema “Mais salários e direitos – Outro rumo é possível!” e gritando palavras de ordem como “o pacote laboral é retrocesso social”, “35 horas para todos” ou “contra a política de direita e exploração – por uma vida digna”.
Nas duas ações, organizadas pela CGTP, confluíram sindicatos vindos de todos os pontos do país e que promete lutar até que o pacote laboral seja retirado. Tiago Oliveira, secretário-geral desta organização considerou que um “grande momento de luta”. Este vincou a ideia que o pacote “um autêntico retrocesso nos direitos de quem trabalha, um verdadeiro assalto aos direitos dos trabalhadores, um assalto que integra também o direito de greve”.
O dirigente sindical considera que o que “está em cima da mesa é negociar partindo duma proposta que consegue ser ainda pior do que já é hoje mau”. Face a isto, “a luta é o caminho” e “todas as formas de luta estão em cima da mesa”.
A central sindical continua a insistir em reivindicações como o aumento dos salários em pelo menos 15% para todos os trabalhadores, num valor não inferior a 150 euros, uma salário mínimo de 1.050 euros em janeiro de 2026 e a redução do tempo de trabalho para as 35 horas semanais para todos os trabalhadores.
Face a isto, a CGTP anunciará mais formas de luta depois do seu Conselho Nacional da próxima quarta-feira.
Catarina Martins diz que é preciso um “sobressalto cívico”
Presente na manifestação esteve também Catarina Martins. Para ela, é preciso um “sobressalto cívico” e “uma luta coletiva e abrangente, que seja de todos os trabalhadores, que possa reunir as centrais sindicais, que possa reunir movimentos cívicos” para lutar contra o pacote laboral.
A eurodeputada e candidata presidencial explica que “a alteração é de tal forma profunda que os despedimentos serão completamente facilitados, mesmo sem justa causa, e existirá uma precarização de todo o trabalho”. Para além disso, “nenhum dos direitos do código do trabalho vai valer”. E “os patrões e empresas vão ter poder para chantagear os trabalhadores para horas muito longas, para horários desregulados. E as pessoas não têm nenhuma defesa, porque podem ser despedidas”.
Do pacote até agora apenas se discutiram as “medidas cruéis”, como o fim do luto gestacional, mas “ainda que algumas destas medidas mais cruéis que têm sido debatidas publicamente recuem, se não recuar o resto, na verdade, nada vale. Porque se toda a gente tiver um contrato precário e toda a gente puder ser despedida, mesmo sem justa causa” tudo o resto em termos de direitos fica comprometido.
Acrescentou ainda que espera que “as duas maiores centrais sindicais possam estar juntas nesta luta”.