Genocídio

Microsoft retira a Israel acesso à nuvem onde armazenava escutas aos palestinianos

26 de setembro 2025 - 11:04

Durante anos, o exército israelita armazenava nos servidores da Microsoft Azure milhões de chamadas telefónicas intercetadas a civis na Palestina. Denúncia pública levou à decisão da empresa de bloquear o acesso.

PARTILHAR
Prtesto em frente a um edifício da Microsoft em Seattle, EUA, em maio de 2024.
Prtesto em frente a um edifício da Microsoft em Seattle, EUA, em maio de 2024. Foto No Azure for Apartheid

No mês passado, o portal israelita +972, o Local Call e o Guardian divulgaram uma investigação que mostrava como a Unidade 8200, uma força de elite da guerra cibernética israelita, guardava na plataforma Azure, o serviço de cloud da Microsoft, as gravações de milhões de chamadas feitas na Cisjordânia e em Gaza, que representavam uma das mais intrusivas recolhas de dados de vigilância do mundo sobre uma população em específico.

Os dados recolhidos nessas chamadas - 11.500 terabytes que correspondem a 195 milhões de horas de audio - serviram não só para prender palestinianos na Cisjordânia, mas também para planear ataques aéreos em Gaza. Alvo de campanhas de boicote pela sua colaboração com os crimes de guerra israelitas, a Microsoft acaba de anunciar que retirou o acesso a esses servidores, tornando-se a primeira grande tecnológica a cortar serviços aos militares israelitas desde o início da guerra em Gaza, embora continue a colaborar com outras unidades militares.

Na carta enviada ao ministro da defesa israelita, a Microsoft diz ter lançado um inquérito sobre o que veio a público e que configura uma violação dos termos de serviço da sua plataforma cloud. Como já encontrou provas que confirmam a notícia publicada em agosto, optou por bloquear o acesso daquela unidade.

“Nos não fornecemos tecnologia para facilitar a vigilância em massa de civis. Temos aplicado este princípio em todos os países do mundo e temos insistido nisso ao longo de mais de duas décadas”, refere a carta assinada por Brad Smith, um dos responsáveis da Microsoft.

Na campanha de boicote à Microsoft lançada em abril, o movimento Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) acusava-a de ser “talvez a empresa tecnológica mais cúmplice da ocupação ilegal de Israel, do regime de apartheid e do genocídio em curso”. Além de usar o Microsoft Azure para a gestão das autorizações que os palestinianos são obrigados a ter nos territórios ocupados, é usado desde 2017 na gestão dos dados das prisões israelitas e também utilizado nos centros de treino militares para simulações de combate.