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México reforça tropas na fronteira sul após acordo com EUA

O acordo para evitar a imposição de tarifas às importações de produtos mexicanos obriga o México a tentar reduzir o fluxo migratório que atravessa o país em direção aos EUA.
O presidente López Obrador com o ministro Marcelo Ebrard na conferência de imprensa desta terça-feira. Imagem Governo do México.

Ainda não são conhecidos todos os detalhes do acordo entre Washington e o governo mexicano, mas é certo que o presidente Obrador prometeu aplicar medidas para controlar o fluxo migratório de países centro-americanos com destino aos EUA.

Esta terça-feira, o governo mexicano anunciou o envio de mais militares para a fronteira sul e nomeou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Marcelo Ebrard, para comandar a comissão governamental dedicada a essa tarefa.

Em troca de impedir a aplicação de uma tarifa de 5% sobre as sias exportações, o México comprometeu-se a reforçar a presença da Guarda Nacional na fronteira sul. Marcelo Ebrard reconheceu que as negociações foram “muito tensas e muito difíceis”, mas diz ter conseguido evitar a aplicação da principal exigência norte-americana, de tornar o país num “terceiro país seguro”, o que implicaria que os migrantes fizessem o seu pedido de asilo ao Mexico e não aos EUA. Ebrard diz que o objetivo da Casa Branca de conseguir um fluxo migratório zero é um desejo irrealista, mas que é possível reduzir o número de migrantes que diariamente chegam aos EUA.

Amnistia Internacional teme militarização da fronteira sul do México

A forma de tentar travar os milhares de migrantes que todos os dias são detidos à chegada aos Estados Unidos não é muito diferente da que já tinha sido acordada no ano passado entre os dois países. Mas a Amnistia Internacional já veio dizer que teme o cenário de militarização da fronteira sul mexicana e instou o governo de López Obrador a impedir detenções arbitrárias de migrantes e requerentes de asilo.

A Amnistia Internacional lembra o sucedido no passado dia 5 de junho, quando uma operação militar e policial deteve 400 migrantes na província de Chiapas, levando-os para um centro de detenção sobrelotado e “muitos foram deportados no dia seguinte sem que lhes tenha sido explicado o seu direito a pedir asilo ou a explorar outras opções migratórias no México”.

Caso o número de migrantes não desça significativamente, o governo mexicano pretende incluir o Alto Comissariado da ONU para os refugiados na solução da questão migratória, bem como os restantes países de trânsito, como a Guatemala, o Panamá ou o Brasil. O acordo com os EUA será revisto num prazo de 90 dias, com a avaliação a ter início daqui a um mês e meio, informou o responsável pela diplomacia mexicana.

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