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Meta alia-se a Donald Trump e acaba com verificação de factos

08 de janeiro 2025 - 11:17

Mark Zuckerberg aproveita nova presidência de Donald Trump para acabar com a verificação de factos na sua plataforma. Bilionário justifica-se dizendo que luta "contra a censura".

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Mark Zuckerberg
Mark Zuckerberg. Fotografia de Anthony Quintano/Flickr

A Meta, empresa que detém o Facebook e o Instagram, vai acabar com os mecanismos de verificação de factos nas plataformas, sob a justificação de uma luta “contra a censura”. O anuncio foi feito por Mark Zuckerberg, fundador da empresa, num vídeo partilhado online.

O próprio bilionário explicou que a mudança surge no contexto do retorno de Donald Trump à Casa Branca, querendo dar “prioridade à liberdade de expressão”. Os verificadores de factos serão substituídos pelo modelo utilizado na plataforma X, de Elon Musk, outro aliado próximo de Trump.

No X, não existe uma moderação que restrinja conteúdos falsos. Existem antes “notas comunitárias”, que outros utilizadores podem adicionar a uma publicação para lhe dar contexto. Para operar a mudança, Zuckerberg acusou os verificadores de factos da Meta de terem “demasiada parcialidade política” e de terem “destruído mais confiança do que criaram”.

A alteração resultará previsivelmente numa redução de custos para a empresa, porque passa a gastar menos dinheiro em moderação de conteúdos. É também provável que haja uma inundação de conteúdos falsos no Facebook, Instagram e Threads, uma vez que já não haverá capacidade para verificar factos da maneira que tem havido até agora. Lembre-se que, mesmo com recursos profissionais de verificação de factos, as plataformas digitais continuavam a ser palco de muita desinformação.

O fundador da Meta afirmou querer ver-se livre de “restrições em tópicos como a imigração e género, que estão desatualizados do discurso mainstream”. Mas assume também um papel de disputa internacional ao “trabalhar com o presidente Trump para lutar contra os governos que perseguem as empresas americanas e pressionam para haver mais censura”.

A ameaça é feita diretamente à Europa, onde Zuckerberg diz haver “um aumento no número de leis que institucionalizam a censura” e à América Latina, onde afirma – sem provas – que há “tribunais secretos” que podem “obrigar as empresas a censurar silenciosamente”.

A Meta tem mais de três mil milhões de utilizadores e é pelas suas redes sociais que muita gente obtém notícias e informação sobre o mundo. As decisões de Mark Zuckerberg sobre a política de verificação de factos terão impacto na qualidade de informação que circula nessas plataformas.

A alteração acontece poucos dias depois de o presidente dos ‘assuntos globais’ (president of global affairs, em inglês) da Meta, Nick Clegg, ter sido substituído pelo membro do partido Republicano Joel Kaplan.