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Memórias: Lélia Abramo

No dia 9 de abril de 2004, morreu Lélia Abramo. Foi uma atriz, sindicalista, jornalista e militante política brasileira. Lutou pelas liberdades durante todo o ciclo da ditadura militar e esteve presente em muitas atividades políticas da vida brasileira. Por António José André.
Lélia Abramo. Foto de Edu Lopes.

Lélia Abramo nasceu a 8 de fevereiro de 1911, em São Paulo (Brasil). Os seus pais eram imigrantes italianos. Ela fazia parte de uma família com grande militância política e presença nas artes.

A sua mãe, Afra Iole, era filha de Bortolo Scarmagnan, militante anarco-sindicalista e organizador da Greve Geral de 1917, em São Paulo. Dois dos seus irmãos (Lívio Abramo e Beatriz Abramo) eram artistas plásticos e os outros (Athos Abramo, Fúlvio Abramo e Cláudio Abramo) eram jornalistas. 

A casa da sua família era um reduto para o encontro entre jornalistas, escritores, artistas e políticos da esquerda brasileira. No Brasil, Lélia Abramo participou na fundação da Oposição de Esquerda e na Frente Única Antifascista.

Entre 1938 e 1950, Lélia Abramo viveu em Itália, testemunhando os dramas da 2ª Guerra Mundial (bombardeamentos, comida racionada, suspensão das liberdades). Em 1958, iniciou a sua carreira de atriz com 47 anos.

Ao longo da vida, Lélia Abramo participou em 24 telenovelas, 13 filmes e 30 peças de teatro. Ajudou a construir uma dramaturgia que incluía temas como as questões sociais . 

Em 1964, Lélia Abramo foi convidada para participar da inauguração da TV Globo. Mas, a partir de 1973, passou a ser ignorada pela Globo, quando assumiu a presidência do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões (SATED) do Estado de São Paulo.

Lélia Abramo liderou a luta pela legalização da profissão de ator, que foi reconhecida na lei, em maio de 1978. Durante todo o ciclo da ditadura militar, ela lutou pela liberdade de expressão.

Fundadora do Partido dos Trabalhadores, Lélia Abramo assinou a ata da fundação do PT com Mário Pedrosa, Manuel da Conceição, Sérgio Buarque de Holanda, Moacir Gadotti e Apolônio de Carvalho. E esteve presente em muitas atividades políticas, como na campanha "Diretas Já!".

No dia 9 de abril de 2004, Lélia Abramo morreu, vítima de uma embolia pulmonar, com 92 anos. Ela "nunca vergou a espinha, nunca sacrificou a consciência à conveniência e, desde muito jovem, se opôs à injustiça da sociedade…" (prefácio do livro "Vida e Arte).

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