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Melhoria da qualidade do ar mostra que é preciso abandonar as energias fósseis

O confinamento para conter a Covid-19 levou a uma redução sem precedentes do recurso ao carvão e ao petróleo como fontes energéticas. Redução da poluição terá evitado 11.000 mortes na Europa, diz um estudo da CREA.
Foto de SZ/Flickr

O estudo do CREA - Centro para a Investigação da Energia e Ar Puro, estima que o impacto da redução de cerca de 37% de energia do carvão e um terço do consumo de petróleo possam ter conduzido a uma diminuição média de cerca de 40% da poluição por dióxido de azoto(NO2) e de 10% na emissão de partículas (PM10 ou PM2.5). Esta redução por sua vez, de acordo com a avaliação do CREA, preveniu 11.000 mortes.

Portugal é o país onde os resultados são mais visíveis, com uma redução de 58% dos níveis de dióxido de azoto e de 55% dos níveis de partículas. O estudo estima que no nosso país terão sido evitadas 609 mortes como resultado da diminuição destes níveis de poluição. Os autores sublinham ainda o facto de no último mês não ter havido consumo de energia de carvão em Portugal.

A poluição do ar é a maior ameaça à saúde ambiental na Europa e o estudo da CREA demonstra que, apesar desta melhoria na qualidade do ar, os níveis de poluição anteriores a que as pessoas estiveram expostas continuam a ter consequências. A exposição aos níveis de poluição anteriores ao confinamento é responsável por diversos quadros clínicos pré-existentes, que não só deixam as pessoas que deles sofrem mais vulneráveis e susceptíveis de ficarem severamente doentes e de necessitarem de cuidados intensivos, ou mesmo morrer, como aumentam o número de pessoas que requerem tratamentos para tudo, desde doenças respiratórias crónicas, asma, doenças cardíacas ou a diabetes, sobrecarregando ainda mais os sistemas de saúde.

Os autores sublinham que “a crise da Covid-19 provocou um sofrimento humano inaudito e os seus efeitos colaterais [como a redução da poluição do ar numa sequência do confinamento] não devem ser celebrados. Os maiores benefícios em termos de saúde públicas, da redução do carvão e combustão do petróleo, em apenas um mês, são, no entanto, uma demonstração surpreendente do benefício para a saúde pública e para a qualidade de vida.” E acrescentam que “num momento em que estamos todos ansiosos para que a vida e a economia regressem ao normal, ninguém deseja regressar à poluição das energias fósseis. É vital que os legisladores europeus dêem prioridade ao ar limpo, às energias limpas, e aos transportes não poluentes como parte do plano para a recuperação da crise.

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