Ao fim de 15 meses de processo negocial, os sindicatos dos médicos continuam sem conhecer quais são as propostas do Governo quanto à valorização das grelhas salariais, ao novo regime da dedicação plena, à organização do serviço de urgência e ao modelo de disciplina e organização do trabalho médico. O prazo para concluir as negociações terminou no final de junho, mas nem nas duas reuniões realizadas após o fim do prazo foi possível conhecer as propostas do Ministério da Saúde.
Face à ausência de propostas, a Federação Nacional dos Médicos (FNAM) vai manter a greve convocada para os dias 1 e 2 de agosto, o mesmo acontecendo á paralisação de 25, 26 e 27 de julho convocada pelo Sindicato Independente dos Médicos.
A presidente da FNAM, Joana Bordalo e Sá, disse ao Diário de Notícias que a atitude do Governo, ao não enviar propostas escritas antes das reuniões, "demonstra falta de competência como má-fé na negociação", pelo que se o mesmo acontecer antes da próxima reunião marcada para dia 28, a FNAM "não está mais disponível para continuar numa situação que é um verdadeiro simulacro de negociações". Também Roque da Cunha, o líder do SIM, afirma que "se não houver documentos até terça-feira o SIM entende que não vale a pena estar na próxima reunião. Esta só faz sentido se houver mesmo um sinal de negociação séria".